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Cultura » Na trilha de ‘Winnetou’

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Luiz Carlos Merten

19 Fevereiro 2011 | 10h18

BERLIM – Fiz um monte de entrevistas agora pela manhã. Rodrigo Moreno, diretor de ‘El Custodio’, O Guarda-Costas, que concorre com ‘Um Mundo Misterioso; Andres Veiel, o diretor alemão de “If Not Us Who’, e o diretor e elenco, Joshua Marston e Tristan Halilaj e Sindi Lacej, de ‘The Forgiviness of Blood”. O garoto süo queria falar de futebol quando descobriu que eu era do Brasil, comentando, desconsolado, a aposentadoria de Ronaldo. O fenômeno tem fãs na Albânia, me garantiu ele. Descansei carregando pedra, preparando-me para a premiação desta noite, mas à tarde ainda vou ver, agora espero que sim, a versão restaurada de Taxi Driver”, de Martin Scorsese. Mas não foi para dizer isso que voltei à sala de imprensa. Logo no primeiro dia do festival, quando “Bravura Indômita’, a versão dos irmãos Coen, abriu a Berlinale, o fantasma do western tem assombrado a Berlinale. ‘Hollywood Reporter’ dedicou uma edição ao assunto. Lembrou que não foram só os italianos que se aventuraram pelo mais norte-americano dos gêneros. Os alemães também se ensaiaram no cinema das pradarias, embora não tenham tido nenmhum Sergio Leone para dar nobreza às suas investidas pelo gênero. Nos anos 1960, foram produzidos vários filmes com os personagens de Winnetou e Mão de Ferro, o chefe índio e seu amigo cara-pálida. Ambos foram criados por Karl May, um escritor do século 19 que nunca colocou os pés nos EUA, o que não o impediu de criar uma versão da conquista do Oeste que incendiou a imagimação de gerações de jovens alemães. Não me lembro se todas, mas uma, pelo menos, era dirigida pelo Dr. Harald Reinl e eu sempre achei curioso, engraçado mesmo, que os créditos dos filmes que ele realizava sempre tivessem o título, Dr. Eram filmes bem medíocres, e era estranhíssimo ouvir aquela gente falando alemão num western, mas a série Winnetou ultrapassou as fronteiras da Alemanha e, assim como chegou ao Brasil, aportou nos EUA. Quentin Tarantino via os filmes na “América’ e chegou a homenageá-los com uma citação em ‘Bastardos Inglórios’. Em ‘Hollywood Reporter’, descobri que o culto é tão grande que, em 2001, um diretor da Baviera, Bully Herbid, fez uma paródia – ‘Winnetou’s Shoe’ – e o filme permanece como o maior sucesso de público de toda a história (toda!) do cinema alemão. Só para estender o assuntyo, o American Film Institute fez uma enquete para apontar os cinco maiores westerns de todos os tempos. ‘Rastros de Ódio’, The Searchers, de John Ford, chegou em primeiro. Poderia ser outro? Não creio.Vieram depois – ‘Matar ou Morrer’, de Fred Zinnemann; ‘Os Brutos Também Amam’, Shane, de George Stevens; e ‘Os Intocáveis’, de Clint Eastwood. Não sei qual foi o quinto, mas vocês talvez pesquisem na internet para me informar – é o que espero. Embora seja considerado um gênero morto, o western resiste. ‘Bravura Indômita’ é a maior bilheteria da carreira de Ethan e Joel Coen nos EUA, sinal de que há demanda (fome?) por esse tipo de produto. Estou curioso para saber se, no Brasil, io novo ‘True Grit’ também arrebentou na bilheteria ou se os brasileiros preferem ‘Fargo’ e ‘Onde os Fracos não Têm Vez’, outros filmes dos Coens que também foram muito bem (em todo o mundo).