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Cultura » ‘Na Roda da Fortuna’

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Luiz Carlos Merten

08 Janeiro 2009 | 16h30

É ‘perca’ de tempo polemizar sobre os irmão Coen neste blog, porque Joel e Ethan têm – voltou o circunflexo! – passagem livre por mim. É o falso cinema inteligente, ou o que eu considero falso. Mas, enfim, os coleguinhas do Rio acharam ‘Onde os Fracos não Têm Vez’ o melhor filme do ano passado e acrescentaram outro trabalho à dupla à sua lista de dez, ‘Queime Depois de Ler’. Parabéns! Quero me corrigir. Escrevi mais de uma vez que os Coen haviam descoberto o filão da boçalidade quando fizeram ‘Fargo’, em 1995. Não foi. O elogio – a crítica? – da boçalidade como fenômeno norte-americano data de pelo menos um ano antes, quando fizeram ‘Na Roda da Fortuna’. Não confundam com ‘A Roda da Fortuna’ (Band Wagon), o musical de Minnelli em que Fred Astaire e Cyd Charisse dançam aquele número no Central Park. Era o filme favorito de Santiago, o mordomo da família Salles, lembram-se? Genial, aliás, geniais (no plural), ‘A Roda da Fortuna’ e ‘Santiago’. Revi outro dia, na TV paga, o filme que sempre foi considerado um Coen ‘menor’. “Na Roda da Fortuna’ chama-se, como é mesmo?, ‘Hudsucker Proxy’, é isso? Achei-o bem interessante, com um recorte ‘capriano’ – de Frank Capra – muito sugestivo. E o Paul Newman é maravilhoso como o empresário que põe um boçal (Tim Robbins) na direção da firma para apressar sua bancarrota e o cara se revela um gênio inventando o… bambolê! Sensacional! Vejam, portanto, que, em matéria de irmãos Coen, eu sempre fui do contra. Gosto de ‘Fargo’, ‘Na Roda da Fortuna’, ‘Gosto de Sangue’, um pouco de ‘Ajuste de Contas’. Agora, ‘Barton Fink – Delírios de Hollywood’, ‘E aí, Meu Irmão…?’, o infame ‘ O Homem Que não Estava Lá’, ‘Onde os Fracos não Têm Vez’ e ‘Queime Depois de Ler’… Passo a vez.