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Cultura » Na ‘chón’!

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Luiz Carlos Merten

04 Janeiro 2012 | 09h00

Estou indo ao Rio no fim de semana para entrevistar Robert Downey Jr. Gosto do cara, mas estaria indo com muito maior entusiasmo se tivesse gostado de Sherlock Holmes – O Jogo de Sombas, ou das Sombras, que vi ontem. Então, vamos reformular o post. Depois de uma temporada de bons filmes, minhas vacas emagreceram. Três filmes ruins, ou pelo menos insatisfatórios em menos de 24 horas são demais para qualquer um. Achei ‘As Aventuras de Agamenon’ um horror e confesso que estou curioso para ver o desempenho do filme de Victor Lopes na bilheteria, principalmente após o fenômeno ‘O Palhaço’, em que Selton Mello confirmou a possibilidade da terceira via para o cinema brasileiro. Gosto de Marcelo Adnet, de Luana Piovani – ela é ótima, principalmente quando faz paródia de sua persona sexy -, mas o filme, além de grosso além da conta, não tem ritmo e é formado por uma sucessão de piadas que não ‘engatam’. Me lembrava, a todo momento, daquela personagem de Araci Balabanian, a Dona Armênia. No fim de cada piada, o filme estava na ‘chón’, como ela dizia, no chão. Para não dizer que não achei graça de nada, esbocei dois sorrisos – a confusão de Nelson Motta, perguntando-se erm qual documentário está, e o pingue-pongue de Bin Ladden. Não sei, sinceramente, se Nelson Motta é tão conhecido a ponto de transformar sua cena num regalo para o povão, mas eu curti. De resto, e apesar da curta duração, confesso que nunca olhei tanto no relógio – e os ponteiros conspiravam contra mim. Ontem pela manhã, foi o segundo da série de Guy Ritchie com o personagem, ou os personagens criados pelo escritor Conan Doyle. Sou leitor compulsivo de Sherlock Holmes, de Hércules Poirot, de Miss Marple e Maigret. Havia gostado do primeiro filme, e da forma como Ritchie e seus atores atualizavam ‘Sherly’, como o chama seu irmão Mycroft, e o Dr. Watson. Mas, no 2, o trio me deu a impressão de ter perdido a mão. Downey Jr. está fora de controle, Ritchie repete até o limite de transformar em cacoete narrativo o recurso de antecipar a cena, mostrando o pensamento (de Sherlock e Moriarty) sobre o que vão fazer. O próprio vínculo (gay enrustido?) entre os heróis, Sherlock e Watson, já deu o que tinha de dar, mas, claro, a produção é caprichada e algumas tiradas conseguem ser minimamente divertidas. O curioso é que reli há pouco ‘O Cão dos Baskervilles’ e fico escavando na lembrança cenas do filme que Terence Fisher tirou do livro, em 1959, com Peter Cushing e Christopher Lee, acentuando os elementos de horror da narrativa – a produção, afinal, era da Hammer. Bom filme. Minha terceira decepção foi com ‘Alvin e os Esquilos 3’, de Mike Mitchel (e eu havia gostado tanto de ‘Shrek para Sempre’). A tecnologia está cada vez mais apurada e os esquilos estão cada vez mais ‘gente’, com a riqueza de suas expressões, mas eu também não via a hora de terminar o pesadelo. Diverti-me com uma canção e aí, esperando os créditos finais, acredito que tenha sido com ‘Survivor’, do Destiny’s Child (seja lá o que, ou quem for). Mas ‘Alvin’ 1 e 2 estouraram nos cinemas e o Tito, da Fox, põe fé no sucesso. A melhor coisa é o teaser de ‘A Era do Gelo 4’. Vejam e depois me digam se não gostaram.