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Luiz Carlos Merten

23 Maio 2009 | 07h50

CANNES – Quero voltar rapidinho ao filme de Heitor Dhalia, `A Deriva`. Alias, acho curioso destacar que tanto `A Deriva` quando `No Meu Lugar` tratam de vidas em suspenso. Pai e filha, Vincent Cassel – que se auto-definiu aqui como Vicente Cassel, um ator franco-brasileiro – e Laura Neiva, aparecem boiando na agua do mar, no comeco e no fim do filme de Heitor. Os personagens de Eduardo Valente boiam, nao no mar, mas nos diferentes tempos do filme. Pode parecer uma aproximacao forcada, mas ela expoe a fragilidade desses seres. Voces vaoh entender quando virem os dois filmes ai no Brasil. O de Heitor parece que estreia logo, em fim de junho. Serah mesmo? Mas se volto ao filme eh por outro motivo. Acho, e eh um defeito para mim, que `A Deriva` eh muito ruidoso, tem musica demais. Nao consigo esquecer o que me disse Michael Haneke. Hah pouca musica, alias, acho que nem hah musica de verdade em `Le Ruban Blanc`. A explicacao – genial – do autor: `Amo demais a musica, e a respeito, para querer utiliza-la para disfarcar meus defeitos.` Por falar em musica, corria outro dia do hotel para o palais, num fim de tarde, quando alguem me chamou. Era Georges Gachot, o diretor do documentario `Musica eh Perfume`, sobre Maria Bethania. Gachot eh gente finissima. Deu-me noticias de seu novo documentario sobre Nana Caymmi, que ele ainda precisa cortar mais. Soh espero que nao corte seu comeco atual, Nana cantando musica erudita. Os olhos de Gachot brilham falando do filme. Quando o veremos. No Rio, ainda este ano? Em Berlim, no ano que vem?