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Mulheres de preto no Globo de Ouro, e Oprah para presidente

Luiz Carlos Merten

08 Janeiro 2018 | 11h54

FOZ DO IGUAÇU – Assistimos ontem pela TV à premiação do Globo de Ouro. Não posso opinar sobre os premiados de TV, mas Dib Carneiro Neto andou vendo um episódio de Big Little Lies e gostou muito da série que venceu na categoria e ainda valeu Globos para Nicole Kidman e Laura Dern. A premiação de cinema contemplou, como drama, Três Anúncios para Um Crime, que teve seus defensores na votação do prêmio da crítica na Mostra, mas não foram suficientes para que levasse. Como comédia ou musical, o Globo de melhor foi para Lady Bird, a elogiada estreia de Greta Gerwig, que ainda não vi. Três Anúncios ganhou também nas categorias de melhor atriz de drama, Frances McDormand, melhor roteiro – do próprio diretor Martin McDonagh – e melhor coadjuvante masculino, Sam Rockwell. Gary Oldman foi melhor ator de drama pelo Churchill de Joe Wright em O Destino de Uma Nação, e ele tem de estar muito bem para superar o excepcional trabalho de Brian Cox, pelo mesmo personagem, já que o outro nem foi indicado. Acho o Globo de Ouro uma maluquice, porque divide as categorias e os prêmios de protagonistas, mas direção e ator e atriz coadjuvantes concorrem juntos. James Franco (O Artista do Desastre) e Saoirse Ronan (Lady Bird) venceram como protagonistas de comédia ou musical, Guillermo Del Toro foi o melhor diretor, por A Forma da Água, e ainda falta a coadjuvante feminina, que foi Allyson Jenney, por Eu, Tônia. Mr. Trump foi relativamente poupado, porque o tema da noite foi o poder da mulher. As estrelas vestiram-se de preto, como protesto, e os discursos enfatizavam que assédio, abuso, nunca mais. De cara, o apresentador fez piada sobre o banimento de Kevin Spacey, e ele foi citado muitas vezes, mas Kevin, que até eu sabia que era escroto – nunca ouvi falar de outra coisa -, assediava homens, e a questão gay passou ao largo da cerimônia inteira. A dama da noite foi Oprah Winfrey, a filha da faxineira, que chegou lá e fez um discurso emocionante lembrando o que foi, para ela, ver na TV aquele negro elegante como um príncipe – Sidney Poitier – receber o Oscar de melhor ator por Uma Voz nas Sombras, Lillies of the Fields, o longa de Ralph Nelson, de 1963. Oprah fez um discurso pró-mulher e pró-negro, o que me lembrou Yoko Ono, dizendo, nos anos 1960, que a mulher é/era o negro do mundo. Oprah fez um discurso de candidata. Se concorresse a presidente, levava, com todo aquele ardor. Com ela, sim, dá pra acreditar na grandeza da América, não apenas a dos ricos de Mr. Trump. Esqueço-me de dizer que Viva – A Vida É Uma Festa foi a melhor animação e Em Pedaços, de Fatih Akin, o melhor filme estrangeiro, derrotando The Square e Uma Mulher Fantástica. O diretor subiu ao palco com sua estrelas, Diane Krueger, para dizer que ela é a alma de Em Pedaços, como a mulher que pega em armas para vingar a morte do marido turco e do filho por neonazistas. A melhor canção foi This Is Me, de O Rei do Show, e a melhor trilha a de Alexandre Desplast, de A Forma da Água. No cômputo geral, as mulheres de preto deram as cartas no prêmio da Associação dos Correspondentes Estrangeiros, que talvez tenha voltado a ser parâmetro para o Oscar. Nos últimos anos, os prêmios das Guilds (Produtores, Diretores, Atores, Roteiristas) viraram indicadores mais seguros e o Gotham tem sido tiro e queda na escolha do melhor filme. Este ano, o Gotham privilegiou Me Chame Pelo Seu Nome e o garoto Timothée Chalamet, ignorados na noite porque a questão das mulheres se superpôs aos gays no Globo de Ouro. E no Oscar?