Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Muitos ‘Sheis’

Cultura

Luiz Carlos Merten

24 Fevereiro 2011 | 11h28

Meu querido amigo Dib Carneiro fez 50 anos na segunda-feira e comemorou a data na terça, com uma superfesta. Enchi, enchemos, a cara. Estavam os irmãos dele, a galera do ‘Caderno 2’, a irmandade do teatro, Gabriel Villela à frente. Renato, irmão do Dib, fez um vídeo, em que amigos e colaboradores deram depoimentos sobre ele. Estava fora, não entrei nessa. Falo agora. Tenho dado testemunhos sobre amigos queridos, que foram importantes, fundamentais até, na minha vida. Por uma questão de pudor, esses textos me saíram porque José Onofre, Jefferson Barros, Sérgio Moita, todos morreram prematuramente e no calor da hora eu quis de alguma forma homengeá-los e agradecer-lhes. Pelo que? Pelo dom da amizade, para que contribuíssem para a pessoa que tento ser e que não é melhor, como ser humano nem profissional, porque a matéria humana, afinal, tem suas limitações. Vocês me perdoem, mas quero deixar aqui registrado o que teria dito no vídeo sobre o Dib, para ser exibido na festa dele (mas que não passou por problemas técnicos). Dib é um grande editor, um dos melhores que já tive. Não tem o rabo preso, coisa rara, entende o que é o interesse jornalístico e, mesmo que não tenha a extraordinária erudição de José Onofre – o Zé era de outra galáxia -, ele supre o que seria uma deficiência com uma sensibilidade aguçada que o leva a a se cercar e ser solidário com os melhores profissionais, com os quais também aprende, sem a pretensão de tudo saber. Essa sensibilidade, ligada ao amor do teatro – é crítico de teatro infantil -, levou o Dib a se tornar autor. O encontro com Gabriel Villela foi decisivo. Dib ganhou o Shell por ‘Salmo 91’, que adaptou de ‘Estação Carandiru’, de Drauzio Varellas, e Gabriel transformou num espetáculo inesquecível. Espero que Dib ganhe muitos ‘Sheis’ por peças que ainda nem escreveu, mas o próprio Gabriel Villela está apaixonado por ‘A Crônica da Casa Assassinada’, que o Dib adaptou do livro de Lúcio Cardoso, a pedido dele (Gabriel). Os ensaios começam em março, depois do carnaval para estrear primeiro no Rio. Hector Babenco, comentando o projeto, me disse que Dib estava fornecendo outro rubi para a coroa de Gabriel. Nosso diretor do coração não ficará brabo – como bom gaúcho não consigo dizer bravo -, se eu manifestar meu desejo que sobre um rubi também para a coroa do meu amigo. Justamente o amigo. Editor, autor, amigo. Dib é absolutamente solidário com seus amigos e comandados e, por isso mesmo, é amado pela equipe. Até quando essa lua de mel? Tem sido um privilégio para mim, desfrutar dessa amizade tão especial e que me abriu as portas para o conhecimento de pessoas bacanas, grandes artistas a quem admiro cada vez mais. Longa vida, Carneiro.