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Luiz Carlos Merten

24 Setembro 2006 | 12h42

Encontrei um amigo no café da manhã do hotel em que estou hospedado, aqui no Rio, e ele me fez uma objeção ao belo filme do Ricardo Elias Os Doze Trabalhos, que passou ontem na Première Brasil. Achou legal, bem filmado, mas também considerou muito linear. Foi uma objeção mais ligada ao tom do filme, a partir de sua ausência de clímaxes, do que propriamente ao estilo, porque Ricardo usa diversas técnicas e estilas para contar os 12 trabalhos do seu motoboy na metrópole paulistana. Essa cultura do motoboy é coisa de São Paulo. Não tem no Rio, pelo menos do mesmo jeito, não tem em Nova York, em Los Angeles, em Paris, em Berlim, todas cidades às quais tenho viajado a trabalho. Ricardo mostra outro personagem que tem muito a ver com o De Passagem, seu filme anterior, mas o mundo e seu cinema mudaram. Até entendo a objeção à tal linearidade de Os Doze Trabalhos. Mediei ontem o debate do Ricardo com o público na tenda instalada na Cinelândia, após a sessão popular do filme, e ele soltou uma informação que se revelou muito importante. Ricardo ama, acima de tudo, o cinema de Eric Rohmer. Um cara que ama Rohmer, para ser coerente, tem de filmar nessa pegada diferente, na qual a violência é interiorizada e os clímaxes, que existem, não são bombásticos. Eu amo Rohmer e amei Os Doze Trabalhos. O lançamento será só no começo do ano que vem, mas, antes, o filme passa na Mostra de São Paulo. Não perca!

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