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Mostra (8)/Selfie, selfish e o mundo (particular?) de Bosco

Luiz Carlos Merten

28 Outubro 2017 | 13h15

Estou vindo de uma cabine da Mostra. Acabo de assistir ao espanhol Selfie, de Victor García León. A vida de Bosco desmorona quando o pai, um ministro corrupto, vai para a cadeia. Conversei esta semana – com Juliana Paes e o diretor Pedro Vasconcelos – sobre os homens fracos e as mulheres fortes de A Força do Querer. Os homens foram o sexo frágil da novela de Gloria Perez. Bosco, em Selfie, é um banana. Já seria um personagem difícil de suportar, insuportável?, mas o diretor ainda adota um formato particular para contar sua história. Bosco é seguido o tempo todo por uma câmera. Compartilha tudo, invade a vida das pessoas. Quem tem celular e vive nas redes sociais deve estar acostumado, mas, para mim, ver o filme foi o maior sacrifício. Selfie, selfish. Não preciso ensinar ninguém que selfie é um retrato, essa fotografia, geralmente digital, que a pessoa faz de si mesma. O mundo de Bosco é desse tamanhinho. Gira só em torno dele. Na m…, ele nem se dá conta de que se aproveita de todo o mundo, em especial da assistente social cega, com quem chega a ter um affair. E Bosco se queixa o tempo todo. No final, ele acha que mudou. Confesso que não tenho ferramentas para avaliar um filme desses. Socorro! Que mundo é esse? Ou melhor – em que mundo vivo? Paralelo, certamente. Os Boscos da vida me assustam mais que qualquer outra coisa. Não sei como lidar com esse tipo de personagem, ou situação, que, por outro lado, é perfeitamente corriqueiro(a).