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Mostra 4/Jarmusch, Verhoeven e documentários brasileiros

Luiz Carlos Merten

23 Outubro 2016 | 10h43

Volto aos destaques do dia, da Mopstra, e os faço separadinhos, como me pediu Eliana Souza, nossa pauteira do Cadeno 2.
Paterson
Havia muitos bons filmes e poucos realmente grandes na seleção de Cannes deste ano. Paterson, de Jim Jarmusch, foi dos maiores. Um dos graves erros do júri de George Miller, para mim, foi não ter dado o prêmio de melhor ator para Adam Driver. Na cidade de Paterson, ele faz Paterson, o poeta. Mas não é um poeta como os outros. Casado com uma bela mulher (a iraniana Golfishteh Farahani), dono de um cachorro com quem passeia por bares e praças, ele também é motorista de ônibus. O artista como um trabalhador. O próprio filme é um poema mInimalidta de Jarmusch, que volta aos tempos de Estranhos no Paraíso e Daunbailó. O melhor – todos passam hoje, e no mesmo local. Cinearte 1. Estranhos, às 15h40, Daunbailó, às 17h30 e a cereja do bolo, Paterson, às 19h30.
Elle
O thriller de Paul Verhoeven começa com o estupro da personagem de Isabelle Huppert e termina com uma morte violenta. Entre esses extremos, o autor assina um de seus filmes mais desconcertantes. Isabelle faz a ‘bitch’, uma personagem que desconcerta, mas fascinas. Dona de uma agência que produz games, mãe sem paciência de um filho bobão, amante blasé do marido da amiga e filha insensível de umas mãe que não controlas a libido, ela seria um desafio para qualquer atriz, mas Isabelle é magnífica e o filme, a prova de que o mundo virou realmente um lugar estranho, complicado. Nada é simples – há, ainda, a figura do pai -, e essa é a marca de Verhoeven, o grande.
Cinemark Cidade de São Paulo, 21h30.
O Ídolo
O palestino Hany Abu Assad é autor de um grande filme, Paradise Now, viajando na mente de dois homens-bomba. Em seu novo filme, ele conta a história de um refugiado palestino que vence o concurso de canto Arab Idol. O filme foi escolhido perla Paslestinas como representante a umas indicação no Oscar. Passa nos CEUs que compõem o circuito Spcine às 16 h.
A Luta do Século
Sérgio Machado venceu o prêmio de documentário no Festival do Rio com este filme sobre a rivalidade entre dois ídolos de sua infância, os pugilistas Luciano Todo Duro e Reginaldo Holyfield. Símbolos das dificuldades brasileiras, eles lutaram seis vezes, e cada um ganhou três. Para o filme, fizeram a luta desempate. Havia documentários melhores no Rio – na competição, Divinas Divas, de Leandra Leal, que também está na Mostra. Mas o filme de Sérgio, os personagens, tudo vale.
Espaço Itaú Frei Caneca 1, 16h40.
Martírio
Uma história completa da lutas dos guaranis caiowás, cujas terras têm estado em disputa desde o império brasileiro. O filme faz um retrato terrível da bancada ruralista no Congresso, terrível não por demonizar, mas simplesmente por mostrar o que dizem e fazem seus representantes. É coisa de um genocídio programado. Matar os índios para tomar suas terras. Duas belíssimas cenas – o guerreiro que chora a privação de caça na reduzida reserva em que os índios estão confinados, o que os obriga, a eles, caçadores, viver de cesta básica, e a cerimônia iniciação dos garotos, que o diretor Vincent Carelli filmou há muito tempo. Crianças lindas – as duras condições de vida vão fazer com que, aos 30, 40, estejam acabados. Não um grande filme, mas um docuymento importantíssimo.
Espaço Itaú Frei Caneca 1, 18h30.
De Punhos Cerrados
O longa de estreia do autor do cartaz e homenageado da Mostra deste ano, Marco Bellocchio. Ele tinha 26 anos quando fez o filme que venceu o 1.º Festival Internacional do Filme, do Rio, em 1965.Um filme obsessivo e operístico sobre adolescente epilético que resolve matar a família. Poderoso. Cinesesc, 21h20.
Beduíno
Júlio Bressane demorou muito tempo, quase 14 anos, para fazer esse filme que ele próprio define como ode à imaginação e tentativa de captação de uma realidade que inclui a memória, a poesia e a música. Os jogos de sexo e palavras de um casal, Alessandra Negrini e Fernando Eiras. No Espaçlo Itaú Frei Caneca 2, 20h30. Haverá debate após a sessão.