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Mostra 3/Pitanga, Farhadi, Bellocchio, Kore-eda, que belo dia!

Luiz Carlos Merten

22 Outubro 2016 | 10h54

Nossa pauteira do Caderno 2, Eliana Souza, me pediu que fizesse os destaques da Mostra, no fim de semana, para o blog. Mas também me exortou a facilitar a vida do leitor, separando os filmes e não fazendo um texto corrido, como costumo. Bem mandado – mas não é sempre -, lá vou eu.
Pitanga
A grande atração do sábado, 22, quiçá de toda a Mostra, é o documentário que Beto Brant e Camila Pitanga fizeram celebrando o pai dela, Antônio, que começou Sampaio e deu um corpo ao Cinema Novo, um corpo em movimento, dentro do movimento, como mostra Eryk Rocha no seu belíssimo documentário, só um pouquinho menos grande que Pitanga, o filme. Uma obra de encontros. Uma celebração estética, humana, política. Arteplex Frei Caneca 1, 19h50.
O Apartamento
Após o intervalo francês de O Passado, Asghar Farhadi volta ao Irã para fazer talvez o filme mais forte, crítico e contundente sobre a sociedade iraniana contemporânea. Um casal de atores, que representa A Morte do Caixeito Viajante, de Arthur Miller – e é muito curioso ouvir o texto em farsí -, é forçado as deixar sua casa. Um conhecido indica um apartamento, mas sem informar que era de uma prostituta. Aparece um antigo cliente. O que se segue, só vendo. Assédio físico, moral, Vingança, responsabilidade. E Farhadi, que já ganhou Urso de Prata, de Ouro, Globo de Ouro, Oscar, etc, soma mais um prêmio ao currículo – o de roteiro, em Cannes, em maio. Cinearte 2, 19h50.
Vencer
Marco Bellocchio permanece o mais político dos autores de sua geração no cinema italiano. Surgido nos anos 1960, fez grandes filmes operísticos, tragédias familiares. Esse é um dos mais intensos. A mulher esquecida de Benito Mussolini, o filho que o Duce quis apagar da história. Filmaço. A atriz Giovanna Mezzogiorno é excepcional. Cinesesc, 15 h.
Killer Joe
Outro homenageado deste ano, William Friedkin. Autor sempre interessado nos aspectos malignos da vida social (Operação França, O Exorcista etc), ele conta aqui a história de drogado que contrata matador der aluguel para liquidar a própria mãe e ainda oferece a irmã como garantia sexual, até que o seguro seja pago. Friedkin segue a via mais difícil – dá intensidade aos conflitos físicos e viaja nas mentes enfermas, atormentadas, de suas criaturas. E que poderoso ator é Matthew McConnaughey. Cinearte 1, 21h50.
Exercícios de Memória
Há um novo e vigoroso cinema paraguaio. Paz Encina deu-lhe visibilidade com o magnífico Hamaca Paraguaya, há dez anos. Ela agora se volta para a ditadura de Stroessner no Paraguai, reconstituindo, pelo olhar de três filhos, a figura do maior opositor do regime, Agustín Goiburú, morto no quadro da chamada ‘Operação Cóndor’, que coordenava a repressão dos regimes militares do Cone Sul, nos anos 1970. O filme dela não deixa de dialogar com outros dois que também abordam a tragédia paraguaia – Guerra do Paraguay, de Luiz Rozemberg Filho, maravilhoso, e Martírio, de Vincent Carelli, sobre a espoliação das terras dos guaranis caiowás. Espaço Itaú Augusta, 18h30.
Depois da Tempestade
O japonês Hirokazu Kore-eda possui o segredo de transformar pequenos filmes familiares em amplos painéis humanos e sociais, e verdadeiros acontecimentos cinematográficos. Um homem separado da mulher e meio à deriva na vida. Sua mãe idosa. A ex e o filho. Diálogos cruzados. Toda a beleza do cinema está no corpo (e nos olhares) dos atores. Reserva Cultural, 21h25.