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Mostra (4)/É hoje, O Padre e a Moça!

Luiz Carlos Merten

24 Outubro 2017 | 09h06

No post anterior, ao falar sobre O Jovem Karl Marx, esqueci-me de dizer que é da Califórnia e a empresa, talvez temendo represálias – é ideia minha -, não está muito tentada a lançar o filme nos cinemas. A oportunidade para vê-lo numa tela grande, portanto, é agora. Nesta terça à noite ocorre a que creio que será uma das sessões mais lindas da 41.ª Mostra, que homenageia os 80 anos de Paulo José. Todos os Paulos do Mundo… A partir das 19h30, Paulo e Helena Ignez vão apresentar O Padre e a Moça no Vão Livre do Masp. O Padre e a Moça! O negro amor de rendas brancas! Xiii, não sei se ‘negro amor’ não é considerado incorreto, mas com certeza não serei eu a atacar ou reescrever Drummond. Nenhum outro autor, no cinema brasileiro, possui uma obra que, sendo tão unitária, é também tão dividida como Joaquim Pedro de Andrade. Há o Joaquim mineiro, intimista, como há o tropicalista, extrovertido. Prefiro o primeiro. O Padre e a Moça é seu mais belo filme e Os Inconfidentes possui aquela importância política visceral. Nunca fui muito fã de Macunaíma e quanto a O Homem do Pau Brasil, que nunca mais revi, até onde me lembro é indefensável. Trata-se de uma oportunidade única, rara. O Padre e a Moça é de 1966, mas chegou aos cinemas em 1967. Portanto, há 50 anos. Matemática elementar. Se está com 80 anos, Paulo tinha 30. Naquele glorioso ano de 1966, o ator fez Todas as Mulheres do Mundo. Paulo e Maria Alice. Paulo e Leila Diniz, duas invenções geniais de Domingos Oliveira. A sessão de Todos os Paulos foi gloriosa no Festival do Rio, com o ator e seu eterno diretor, Domingos, na plateia do Odeon. No meu imaginário, Todas as Mulheres não existe sem a trilha. Quando penso no filme, vem completo – imagem e som. A sessão desta noite – espero – vai ser igualmente bela. Emocionante. Paulo e Helena, a fotografia de Mário Carneiro, a trilha de Carlos Lyra. Vamos lá pagar nosso tributo a um grande filme? A dois tão grandes artistas?