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Mostra 2/O beijo da mulher-aranha

Luiz Carlos Merten

22 Outubro 2016 | 00h14

Fiquei sem internet boa parte da manhã, o que me impediu de postar. À tarde, tinha 1001 compromissos, matérias. Sorry. O segundo dia da Mostra trouxe coisas bem interessantes que será possível retomar. Guerra do Paraguay, de Luiz Rozemberg Filho, é certamente uma delas.O melhor filme do Cine PE, mas o júri não concordou comigo e lhe outorgou um prêmio especial. Foi pouca Calunga para muito cinema. Somente um grande autor, referência do cinema marginal, poderia imaginar o encontro de um soldado daquela guerra com uma trupe de teatro nos dias de hoje. Duas mulheres arrastam sua carroça (de ouro?) e Rozemberg reata com seu o jovem mestre Godard de Les Carabiniers/Tempo de Guerra, um dos filmes talvez menos conhecidos de Jean-Luc, no começo de sua carreira – em 1963, no mesmo ano de O Desprezo -, mas um dos maiores. Em Godard, a Mitologia, a Guerra, com maiúsculas. O mesmo posso dizer do Rozemberg. A sexta, 21, também ofereceu uma dose dupla de Paul Verhoeven, exibindo Elle, o novo thriller do diretor, com extraordinária interpretação de Isabelle Huppert, e O Quarto Homem, de 1983, ainda da primeira fase holandesa de sua carreira. O beijo da Mulher Aranha. Jeroen Krabbe faz escritor que vai fazer palestra numa pequena cidade. Envolve-se com uma mulher, mas, na verdade,. está mais interessado no ex-amante dela, que vê numa foto e descobre ser o cara por quem se sentiu atraído na estação. Católico, atormentado por sua homossexualidade, Krabbe, o personagem. tem estranhos sonhos que remetem a símbolos cristãos e ao Cristo como fonte de desejo e perversão. O título tem a ver com o fato de ele ser o quarto homem na vida da mulher – e ela é três vezes viúva. Todos os maridos morreram de forma brutal. Quem será a quarta vítima – o ex, ou ele? Adoro o imaginário de Verhoeven. Suas ficções científicas me arrebatam e Tropas Estrelas, então, é genial. Há 20 anos, ou quase, os críticos – pobres críticos -, escreveram que era ‘fascista’. Não entenderam nada. Continuam não entendendo. Tem gente que torce o nariz para os excessos de Elle. A natureza humana sem retoques. E o Quarto Homem… Verhoeven escreveu um livro sobre a crucificação do Cristo, que gostaria de filmar. Nunca li, mas posso apostar que é blasfemo, como O Quarto Homem. Verhoeven é o tipo do autor que a Mostra deveria trazer ao Brasil. Quem sabe no ano que vem?