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Mostra (1)/Começou!

Luiz Carlos Merten

19 Outubro 2017 | 09h44

Entendo perfeitamente o conceito. Vitrine das novas tendências, janela para o mundo, a Mostra chega à 41.ª edição fiel à sua vocação humanitária. O filme escolhido para a abertura, ontem à noite, no Auditório Ibirapuera, encara uma das tragédias do nosso tempo. A questão dos refugiados. Se fosse o Brasil poderia ser o trabalho escravo. Qual é o problema? A bancada evangélica une-se ao agronegócio e o ‘presidente’ institui o trabalho escravo – em 2017! – como base de seu governo, para permanecer no cargo. Os empresários estão felizes, logo, todos estamos felizes. (É ironia, viram? Que fique claro.) Human Flow abriu ontem a 41.ª Mostra. Atraso de uma hora no início da cerimônia, mais uma hora de discursos, mais duas horas e tanto de filme. No final, mortos de fome e cansaço, caímos, nós, o público, como refugiados, no bufê de sandubas. Human Flow foi rodado na Europa, na África, na fronteira mexicana com os EUA. Tem belíssimas tomadas aéreas (com drones). Impressiona. Exaure. O essencial sobre a tragédia dos refugiados encontra-se em outro filme, muito menor. Exodus, de Hank Levine, olha o todo a partir das histórias de indivíduos. Ai Weiwei mal toca no indivíduo, preocupado com o todo. Suas tomadas do espaço resumem a humanidade a um formigueiro (humano, vá lá que seja). O próprio filme talvez se derrubasse sozinho, mas ontem a abertura da Mostra deu uma mãozinha. Socorro! Passou. Hoje, começa a programação para valer. Muita coisa boa. Toda a força à Mostra.