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Mostra (10)/Praça Paris expõe o verdadeiro terror brasileiro

Luiz Carlos Merten

31 Outubro 2017 | 23h25

Meu amigo Dib me fez ver como estava errado e como, dramaturgicamente, o final de Uma Espécie de Família é potente. Havia ficado muito mal depois de ver o longa do argentino Diego Lerman, mas, agora, tenho de admitir que foi um dos filmes que ficaram comigo nesta Mostra. O da Lúcia Murat, também. Havia tentado ver Praça Paris no Festival do Rio, não consegui. Torcia por Isabel Huaa, de As Boas Maneiras, como melhor atriz, mas tinha de ser Grace Passô. Tomei um choque quando vi Praça Paris na tarde de ontem. Sala quase cheia no Cinearte 2. À noite, na premiação da crítica, contei para Renata de Almeida e ela me disse que o público do cinema brasileiro tem crescido na Mostra. Lúcia Murat fez um retrato terrível do Brasil. Quase duas irmãs. A analista portuguesa que investiga a violência no Brasil e seu objeto de estudo – a ascensorista que sofreu abuso do pai e cujo irmão controla o tráfico. Gostei muito do filme de Marco Dutra e Juliana Rojas, mas o verdadeiro terror brasileiro está no filme da Lúcia. A portuguesa branca fica paranoica, com medo das conexões da ascensorista. E a personagem de Grace, a mulher negra, usada, abusada, marginalizada, causa estragos ao seu redor justamente por causa desse irmão protetor/possessivo. O terror real, não de gênero. A polícia que bate, mas tem volta. Socorro!