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Luiz Carlos Merten

03 Janeiro 2011 | 11h35

Morreu ontem de câncer, em Londres, Pete Postlethwaite. Tinha 60 e poucos anos, era um ou dois mais jovem que eu. Lembro-me que Steven Spielberg, ao trabalhar com ele em ‘Amistad’, disse que era o melhor ator do mundo. Talvez fosse exagero – e Anthony Hopkins poucas vezes foi tão bom quanto naquele filme -, mas Pete, que nunca foi um astro, deixa a lembrança de um grande, imenso coadjuvante. Foram tantos filmes – o mais recente, ‘A Origem’, de Christopher Nolan. Mas vale lembrar – ‘Em Nome do Pai’, de Jim Sheridan; ‘Romeu + Julieta’, de Baz Luhrmann; e ‘O Jardineiro Fiel’, de Fernando Meirelles, que talvez tenha o que lembrar dele. Postlethwaite foi um veterano da Royal Shakespeare Company e por muitos anos froi compasnheiro, na arte e na vida, de Julie Walters. Também morreu Per Oskarsson. Embora o fato ainda não tenha sido confirmado, o ator sueco de 80 e tantos anos teria morrido carbonizado com a mulher, num incêndio que consumiu a casa de ambos na sexta-feira, 31 de dezembro, no interior da Suécia. Oskarsson ficou famoso ao vencer, ainda jovem, o prêmio de interpretação masculina no Festival de Cannes de 1966, por ‘Sut’, que Henning Carlsson adaptou do romance ‘Fome’, de Knut Hamson. Sua extensa carreira, iniciada nos anos 1940, deve incluir uma centena de filmes, ou papeis, porque a lista é enorme. Infelizmente, Oskarsson não trabalhou com Ingmar Bergman, ou pelo menos não me lembro. Trabalhou, em compensação, com todos os outros grandes da Suécia – Gustav Molander, Alf Sjoberg, Vilgot Sjoman, Arne Matsson, Jan Troell. Seu filme mais recente foi da série ‘Millenium’, baseada nos livros do também sueco Stieg Larsson, que David Fincher vai refazer nos EUA.