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Luiz Carlos Merten

14 Maio 2008 | 16h25

CANNES – Desde ontem à tarde já havia gente posicionada em frente ao Palais. São pessoas que se instalam com suas cadeiras e ficam se revezando para poder ver a entrada de astros e estrelas. Isso já faz parte do folclore, ou da mitologia, de Cannes. A montée des marches – o tapete vermelho que cobre as escadarias que dão acesso ao palais – de ‘Blindness’ foi um sucesso. Julianne Moore e Alice Braga estavam lindas, mas eu confesso que só pude ver à distância, pelo telão. Antes delas, havia pisado no tapete vermelho uma esplendorosa Cate Blanchett, com um vestido que eu não sei descrever, nem quem era o estilista, mas que lhe caía muito bem. Estava deslumbrante, com a felicidade estampada no rosto. Aliás, este é um ponto curioso aqui em Cannes. ‘Le Figaro’ publicou uma página inteira que li durante o vôo, na segunda-feira – devia ser da edição de fim de semana, para já ter chegado ao Brasil -, sobre a verdadeira guerra das grifes que se trava nos bastidores do festival. Cannes é um dos eventos mais midiatizados do mundo e vestir estrelas como Cate Blanchett, Julianne Moore ou Sharon Stone – uma habituée da Croisette – não tem preço. Como dizia na reportagem o diretor de Marketing de uma dessas grandes marcas, compensa mais do que pagar páginas e páginas de jornais e revistas. Por isso mesmo, as grifes, e seus representantes, se matam para vestir os astros e estrelas. A reportagem era ilustrada por uma foto de Diane Krueger, que foi a apresentadora – ‘maitresse de cérémonie – no ano passado. Na foto, Diane prova um dos vestidos que usou. Sem exagero, deve haver unas 50 pessoas ao redor dela. Imagino que o clima de bastidores da São Paulo Fashion Week seja assim. Uma guerra da beleza! E, depois, como diria Meryl Streep em ‘O Diabo Veste Prada’, aquela moda vai se expandir pelo mundo, até ser comprada em alguma liquidação por pessoas como a personagem de Anne Hathaway. Eia, Cannes!