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Luiz Carlos Merten

16 Maio 2011 | 09h28

CANNES – Voltei ao hotel para redigir o post e também porque daqui a pouco tenho entrevistas bem próximas daqui. Aproveito para acrescentar outro post. Por toda parte  bares, restaurantes, lojas, nas ruas -, encontram-se em Cannes as fotos ‘de légende’, que reconstituem a história do festival. Na sala do café, namoro todo dia uma foto que mostra a jovem Annie Girardot com Philippe Noiret. No meu quarto, há uma foto da jovem Brigitte concedendo autógrafos e outra de Monica Vitti na época de ‘A Aventura’. OLho todo dia para essa foto e me lembro da entrevista de Angie Dickinson numa das edições da revista ‘Cinema Retro’, que comprei em Los Angeles. Angie comenta que veio pela primeira vez à Europa, e a Cannes, no ano de ‘Rio Bravo’, Onde Começa o Inferno, de Howard Hawks. Ela conta que assistiu ao clássico de Michelangelo Antonioni. Diz que não entendeu nada, mas isso não é importante porque ‘L’Avventura’ prendeu seu olho e ela ficou hipnotizada, fascinada pelo filme. Talvez seja esta a essência do filme de festival. Os de Cannes, este ano, são sob medida para retratar a doença do mundo (e da sociedade). Um filme como ‘O Artista’ não é de festival. O de Iñárritu com Javier Bardem, ‘Biutiful’, que vimos no ano passado, é – e além do herói morrendo de câncer, o diretor mexicano acrescenta à trama um massacre de africanos em Barcelona para ficar bem sombrio. Confesso que ando cansado de tanta neurose nos filmes da seleção oficial. Adoraria rever Yasujiro Ozu, ‘A Rotina Tem Seu Encanto’, que tem status de obra de arte, mas não entra no atual conceito de festival. A única banalidade que interessa hoje aos programadores é a do mal. Hannah Arendt não ia parar para descansar, de tanto material que encontraria em Cannes 2011.

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