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Luiz Carlos Merten

24 Setembro 2009 | 13h44

RIO DE JANEIRO – Confesso que já me acostumei aos desaforos, sempre que viajo para fora. O mínimo que me chamam é de analfabeto, mas é gente que deve cair acidentalmente aqui no blog e não acompanha meu trabalho. Eu até que tento colocar acentos quando estou fora – e não levo leptop -, mas não há Cristo que me faça mudar o teclado e atinar com os acentos. Sorry. Não resisto a acrescentar uma informação à qual voltarei, com certeza. Estava num hotel em Universal City e, talvez pela proximidade do estúdio da Universal, as paredes do hotel, incluindo corredores e quartos, eram carregadas de fotos de cinema, o que me fez percorrer os outros andares só para ver toda aquela gente mítica. Havia uma loja no hotel e, no primeiro dia, vi um livro cujo título exato não lembro agora (vou checar), mas é algo como ‘Key Moments in Movie History’. Momentos chaves (essenciais) na história do cinema. É uma forma diferente de contar a história e listar filmes importantes. O enfoque é sempre o mesmo – filmes importantes (e por que são), momentos decisivos. Só para terem uma ideia. O volume é um tijolaço – vacilei em comprar por causa do peso -, mas só três filmes brasileiros integram a serie. ‘Cidade de Deus’ não é um deles, o que confesso que me surpreendeu. Os selecionados são – ‘Vidas Secas’, de Nelson Pereira dos Santos e o momento selecionado é quando o garoto fica repetindo ‘Inferno’; ‘Deus e o Diabo’, de Glauber Rocha, definido como ‘the most influential brazilian movie ever’ e a cena é a do beato Sebastião, ou the Preacher, como ele é chamado; e finalmente ‘Xica da Silva’, de Cacá Diegues, a cena em que Zezé Motta dança nua para seduzir José Wilker, mas o erotismo tropical não funciona com ele, que está mais ligado no ouro do que em Xica dá, a ‘negraaaa’, como diz a música de Jorge Benjor. Por Deus, as escolhas não poderiam ser melhores e eu me surpreendi no avião viajando nas imagens recolhidas pelos autores e que fazem parte do meu imaginário (e do seu, leitor, tenho certeza). E o legal é que os ‘key moments’ não são só filmes. Existem outros momentos cruciais sobre técnica, distribuição e até crítica, para mostrar como o próprio pensamento evoluiu. Puta livro! Seria bacana se saísse no Brasil, embora, se fosse mantido o formato da edicão norte-americana – capa dura, papel acetinado, muitas fotos -, devesse ser um produto caro.