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Luiz Carlos Merten

09 Agosto 2008 | 23h42

PORTO ALEGRE – Participei hoje do seminário ‘A Aventura da Modernidade’, promovido pela Secretaria Municipal de Porto, falando sobre cinema (sobre o que mais poderia ser?), logo após o professor Schüller, tradutor de Joyce, que tratou da modernidade literária. Foi muito interessante e eu, improvisando como gosto de fazer, entrei num fluxo de consciência que remetia àqueles grandes escritores que, no começo do século passado, perscrutavam a época ‘atual’, em busca de pensamentos novos ou tentando destruir o tradicional e o fora de moda em arte. Citei Rimbaud, ‘É preciso ser moderno!’, absolument moderne, seu brado que resultou em ‘Le Bateau Ivre’ e na ‘saison’ no inferno. antes que ele desistisse da literatura para ser contrabandista de armas na África. Existe, aliás, um filme de Nello Risi com Terence Stamp que trata justamente desse período. Nunca o vi, embora, na época, anos 70, eu comprasse uma revista italiana chamada ‘Ciak’, que nem sei se ainda existe e que trazia fotos belíssimas, inclusive do filme do Nello. Pretendo voltar a esse debate, mas agora quero falar de dois textos na edição de hoje – ainda é sábado – em ‘Zero Hora’. Uma entrevista de Júlio Bressane, que esculhamba com a gestão anterior do Festival de Gramado, que o ignorava, e o festival que começa amanhã (domingo) agora o homenageia com o prêmio especial que leva o nome do pioneiro do cinema gaúcho, Eduardo Abelim. O outro texto era de um crítico norte-americano, sei lá o nome do cara, esculhambando com o ‘Batman – Cavaleiro das Trevas’. Ele reconhece qualidades, mas diz que, no limite, o filme é convencional, pois segue receitas consagradas dos filmes de super-heróis, a saber, o confronto decisivo com o vilão. Christopher Nolan faz isso de uma maneira tão original (e autoral), confirmando que há vida inteligente no cinemão, mais, talvez, do que na crítica, pois a mesma ‘acusação’ poderia ser feita, por exemplo à tragédia grega, que busca, por meio das três unidades, a catarse do público. Agora à noite fui ver ‘Casamento em Dose Dupla’, uma comédia que não é bem romântica, com Diane Keaton e Liv Tyler. A rigor, o filme é ruim, mas Diane e Liv fazem toda a diferença e eu confesso que achei muita coisa divertida, na forma de falar sobre família (e paternidade). Não sei se isso está fazendo sentido para vocês, mas como não havia postado nada, desde que cheguei ontem a Porto Alegre, resolvi acrescentar este post só para dar notícias. Amanhã, sigo para Gramado, para o festival que este ano começa no domingo. Fiz uma capa na sexta, no ‘Caderno 2’, entrevistasndo um dos curadores, José Carlos Avellar, e ele me falou num recorte político – na competição e na escolha dos premiados especiais – que me pareceu bem estimulante. Espero que o festival, latino e brasileiro, corresponda. Mas isso será tema para toda a semana que vem.

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