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Luiz Carlos Merten

04 Julho 2008 | 14h37

Volto ao Fernando (Severo) e ao seu pedido pelas fotos da sepultura do Bergman, que, segundo ele – e eu acredito -, teriam (terão) um significado especial para os bergmanianos de carteirinha. Não resisto a acrescentar este post. Já contei que, em Farö, fomos em peregrinação ao pequeno cemitério de igreja em que Bergman está enterrado. Entrei na igreja, que se preparava para o ofício do meio-dia, uma missa de órgão. Conversei com a ministra – Agneta, um tanto surpreso de saber que ela, uma mulher, era a oficiante da igreja. Embora me defina como agnóstico – mais do que ateu – tenho lá meus momentos místicos. Havia ali um balcão com velas. Acendi uma. Juro! Exatamente no momento em que a chama acendeu, nem antes nem depois, o órgão soou na igreja, pois a organista estava fazendo um teste, ou o quê. Mera coincidência, mas tomei um choque, com a vela na mão e o órgão tomando conta de todo aquele espaço. E sabem o que me veio à lembrança, como um raio? O órgão na trilha de Miklos Rosza, no plano em contraplongé, de baixo para cima, quando as portas do castelo se abrem e o Cid, amarrado ao seu cavalo, avança para comandar, já morto, o combate decisivo contra os mouros. Depois disso, quase fui rever ‘Alexandre Nevski’, que estava em cartaz em Paris, para tirar a teima. Perdoem-me os eisensteinmaníacos, mas apesar da batalha do gelo – e da trilha de Prokofiev -, épico, para mim, não existe maior do que o ‘El Cid’, do Anthony Mann, com Charlton Heston e Sophia Loren.

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