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Luiz Carlos Merten

27 Abril 2007 | 14h00

RECIFE – Vocês devem ter lido a entrevista que fiz com Jorge Durán que saiu hoje no Caderno 2, somada à crítica de Luiz Zanin Orichio sobre É Proibido Proibir, portanto sabem que ambos gostamos (muito!) do filme que estréia hoje na região Sudeste. Esclareço porque o Nordeste vai ter de esperar mais um pouco para ver o belo filme com Caio Blat, Alexandre Rodrigues e Maria Flor que a gente, um tanto simplificadoramente, pode definir como ‘Jules e Jim à brasileira’, porque trata da relação entre dois homens e uma mulher – dois garotos e uma garota -, mas isso desagrada o diretor. Durán, mesmo gostando de Truffaut como gosta, não tem muito apreço por aquele clássico, preferindo outros filmes (como O Garoto Selvagem, o mais rosselliniano que ele fez e eu concordo – é a obra-prima do François). Mas hoje também estréia em São Paulo e, acredito que no Rio e em outras praças, Miss Potter, do Chris Nonan, que fez Babe (e eu sou fascinado por aquele porquinho atrapalhado que quer ser guardião de ovelhas e, por isso, é totalmente deslocado no mundo, onde essa função cabe a cães pastores). Miss Potter conta a história de Beatrix Potter, escritora de língua inglesa que criou clássicos da literatura infantil. Beatrix foi uma mulher adiante do seu tempo, tendo feito uma revolução pacífica para viver a vida que queria, desafiando os códigos e preconceitos de sua época. (Deixo para vocês o paralelismo entre Babe e Miss Potter, mas é óbvio que ele existe.) Não se se Miss Potter é um filme para agradar a muita gente, mas eu achei muito bonito. E o curioso é que é minimalista, parece que não acontece nada, mas aí, se você pensa, chega à conclusão de que a vida de Beatrix foi muito rica. Aliás, é legal isso – o que faz a riqueza de uma vida? Que tipo de experiências, de vivências? Nada é muito dramático nem intenso em Miss Potter, mas foi isso que me fascinou. Hollywod adora contar histórias maiores que a vida. Chris Nonan foge ao figurino tradicional, ‘diminui’ (no bom sentido) a grande personagem, mas que bela figura é Miss Potter! E que bela atriz é Rene Zellweger! O filme foi planejado para Cate Blanchett, que desistiu no último momento. O barco poderia ter naufragado sem sair do porto. Renee encarou o desafio. Nunca vi a Bridget Jones tão contida. Achei-a maravilhosa.

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