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Luiz Carlos Merten

05 Março 2008 | 11h52

Tem mais filmes sobre os quais gostaria de falar, mas vou ser breve porque estou no jornal e preciso trabalhar. ‘Jumper’, do Doug Liman, que formatou a série ‘Bourne’ e dirigiu ‘Sr. e Sra. Smith, é curto (menos de 90 minutos) e claramente um filme feito para ser o primeiro de uma série. Estava louco para ver, mas fiquei, como dizem os franceses, ‘sur ma faim’, ou seja, querendo mais. Parece só um rascunho para o 2, o 3… ‘Loucas por Amor, Viciadas em Dinheiro’ é um título brasileiro para ‘Mad Money’ tão estapafúrdio quanto foi ‘Annie Hall’, de Woody Allen, no passado (no Brasil, chamou-se ‘Noivo Nervoso, Noiva Neurótica’). Devo andar com um parafuso solto, mas confesso que me diverti com Diane Keaton, em mais um papel tipo ‘O Clube das Desquitadas’. ‘Mad Money’ é dirigido por Callie Khouri, que ganhou o Oscar pelo roteiro ‘feminista’ (em termos) de ‘Thelma e Louise’. Vocês se lembram como terminava o filme de Ridley Scott. Não havia saída para as personagens de Susan Sarandon e Geena Davis e elas encontravam na morte uma forma de afirmar a vida. Callie agora vai à forra e mais não digo para não tirar a graça. Katie Holmes, a sra. Dom Cruise, faz uma personagem saidinha, cheia de sugestões de sexo (e a igreja da cientologia, é assim não?, libera geral?). Hummmm…. Para concluir, o filme do Roland Emmerich. Não tenho muito apreço por este diretor alemão chegado às narrativas míticas. Não gosto de ‘Stargate’, mas tenho de agradecer ao filme de Emmerich ter me permitido fazer, pelo telefone, uma das últimas entrevistas de Viveca Lindfors, atriz sueca que tinha lugar reservado no meu panteão particular. Gosto menos ainda de ‘Independence Day’ e ‘Godzilla’, mas aquela cena em que Will Smith arrasta pelo deserto o corpo do alienígena que matou é muito engraçada. Fui ver ‘10.000 a.C.’ como quem cumpre um fado. Tipo assim tenho de ver. É compromisso profissional. É verdade que eu, pessoalmente, tenho necessidade de aventura, que curto as grandes sagas, esta coisa toda, que vira o meu refúgio nestes tempos tão cínicos, mas achei o melhor (o menos ruim?) dos filmes do Emmerich. A construção daquele herói primitivo e apaixonado – o primeiro herói – me tocou. O cara é movido pelo amor à mulher de olhos azuis – e a Camilla Belle, filha de mãe brasileira, não tem aqueles olhos (é trucagem!), me informa a Flávia Guerra, que a entrevistou para o ‘Caderno 2’. Tem também a figura do pai, herói ou traidor? Qualquer pessoa que queira destruir o filme não vai precisar fazer esforço. É uma miscelânea, com seres misteriosos (ETs?) que escravizam os terráqueos; o tigre de dente de sabre que o herói salva reproduz a cena famosa do Alien cara a cara com Sigourney Weaver no terceiro filme (de David Fincher) e por aí vai. Destruir por que? Steven Strait, visto em ‘Super-Escola de Heróis’ (era o garoto que lançava fogo das mãos), e Camilla formam uma dupla tão bonita. Torci pelos dois, mas não foi difícil descobrir qual seria a solução do Emmerich para salvar o romance dos dois. Estava na cara (e ele gosta de trabalhar com clichês).