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Luiz Carlos Merten

09 Dezembro 2007 | 17h32

Acho que vou ter de deixar para amanhã o post sobre ‘3:10 to Yuma’ (mas a verdade é que estou mais interessado em falar do original de Delmer Daves do que no remake, que é bom, vou logo dizendo). Estou indo ao teatro – para ver ‘Andaime’, no Teatro Renaissance -, esperando emendar a peça de Sergio Roveri com ‘Across the Universe’, da Julie Taymor. Sei que está todo mundo matando, mas eu não tenho nem distanciamento para criticar ‘Across the Universe’. É uma viagem tão louca que ontem, no Arteplex, só de ver o trailer quase tive um troço. Aliás, vou ter de voltar a falar do ‘Across’, porque é interessante como a Julie Taymor mistura ‘Hair’, de Milos Forman, com ‘The Wall’, do Alan Parker. Ontem, no trailer, achei impressionante a cena quando o jovem é recrutado por Tio Sam para a Guerra do Vietnã. Aquilo é puro ‘The Wall’ (ou não?), no que não deixa de ser uma tentativa da Julie Taymor de fazer os Beatles dialogarem com Pink Floyd. Mas o objetivo deste post é outro – John Ford (ainda). Estava escrevendo, no post anterior, sobre a palmada que John Wayne manda aplicar no menino confederado. Trata-se de uma crítica, evidentemente, à guerra (e ao machismo e ao patriotismo que fazem com que até um guri, um piá, como se diz no Sul, queira pegar em armas). Me bateu, enquanto redigia aquilo, que Sam Peckinpah, grande diretor de westerns, com certeza deve ter visto ‘Marcha de Heróis’. Na abertura de ‘Meu Ódio Será Sua Herança’ (The Wild Bunch), ele mostra as crianças brincando com os escorpiões, tentando entrar, pela via da violência, no mundo dos adultos. Em ‘A Cruz de Ferro’, seu filme de guerra, sobre um destacamento nazista, Peckinpah projeta os créditos sobre fotos de crianças que brincam de soldados. A crítica é clara – a guerra é uma cruel brincadeira de adultos que agem como se fossem crianças. Gostei de ter (re)visto ‘Marcha de Heróis’, no Telecine Cult. E, aliás, já que falei no canal de cults da rede Telecine, não custa lembrar que, às 10 da noite, tem a fantasia clássica ‘Vampiros de Almas’, de Don Siegel. Como ficção científica, é impressionante, até (ou principalmente) como alegoria política. O invasor do filme se apodera da vontade das pessoas sem modificar sua aparência física. ‘Vampiros de Almas’ teve várias refilmagens (e influenciou um monte de filmes com seu terror psicológico). Mais de 50 anos depois – a produção é de 1956 -, a dúvida permanece. A alegoria de Siegel era contra o macarthismo ou o comunismo? Quem sabe, ambos?

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