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Luiz Carlos Merten

25 Novembro 2011 | 00h01

Passei os dois últimos dias na correria e nem tive tempo de postar. Na terça à noite, houve o debate com Ruggero Deodato, do qual fiz a mediação, após a exibição de ‘Cannibal Holocaust’ na Sala Cinemateca. Achei Deodato ótimo, um contador de histórias que seduziu o público com suas observações e piadas. Há 30 anos, ao estrear, o filme dele foi recebido a pedradas pelos críticos ditos ‘sérios’ e o próprio Deodato admitiu que deve sua ressurreição à dupla Daniel Myrick e Eduardo Sánchez. Foi só depois que ‘A Bruxa de Blair’ assumiu o formato de falso documentário que as pessoas se lembraram do filme dele. Deodato sabe que é hoje reverenciado por Quentin Tarantino, Carlos Reichenbach e outros autores importantes. O público jovem, predominante na sessão de seu filme – boa parte da frequência da sala assistia a ‘Holocausto Canibal’ pela primeira vez -, também já tem outra percepção de seu filme e do próprio ciclo de canibalismo no cinema italiano. Sobre o assunto, comprei numa livraria especializada de Los Angeles um livro fundamental, de Jay Slater.; ‘Eaten Alive!’, Comidos Vivos, Italian Cannibal and Zombie Movies. A chamada de capa é sensacional – ‘It isn’t fear that tears you apart – it’s them!’ Folheando o volume, lendo trechos aqui e ali, descobri que o gênero foi incorporanmdo cada vez mais o sexo (Emmanuelle e os Canibais’) até chegar ao hardcore ‘Porno Holocaust’ e a ‘Cannibal Ferox’, com a foto impressionante da amputação do pênis de um tal Giovanni Lombardo Radice, garanhão que deixava Rocco Siffredi com vergonha de exibir sua ‘modesta’ ferramenta. Não quero esticar o assunto, mas me impressionou como o Cinefantasy, o festival de cinema fantástico de São Paulo, possui seus tietes e é uma garotada que se compoortava diante de Ruggero Deodato como eu talvez me comportasse diante de Luchino Visconti, se por ascaso tivesse tido o privilégio de conhecê-lo. Mudando de assunto, quero dizer que ontem, convidado pela Academia de Filmes, fui assistir às versão offline – editada mas não finalizada – de ‘Infância Clandestina’, o longa de estreia de Benjamin Avila na ficção. Após o sucesso do filme no Cine en Construción, no Festival de San Sebastián, os maiores festivais do mundo já manifestaram interesse pela produção tripartite – Argentina, Brasil e Espanha – e eu não me admiraria se tivesse visto ontem o futuro vencedor do Urso de Ouro, da Palma ou, quem sabe, do Oscar. ‘Infância Clandestina baseia-se em fatos da vida do diretor, sem ser 100% autobiográfico. Avila, filho de pais guerrilheiros, projeta-se no garoto que volta à Argentina com identidade falsa, ionicia nmopva vida na escolas, apaixona-se, mas os pais pegam de novo em armas e a vida de ‘Ernesto’ desmorona, mais uma vez. É um filme sobre as consdtrução da identidade, muito bacana e com cenas maravilhosas. Vocês sabem que, quando amo (um filme), não tenho meias-medidas. Já estou torcendo por ‘Infância Clandestina’.