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Luiz Carlos Merten

24 Setembro 2010 | 09h43

RIO – Pela procedência, vocês já viram onde estou. Desde ontem. Cheguei à tarde e fui parar no hotel no Alto da Gávea, uma pousada de luxo e uma vista maravilhosa (para a Rocinha e a mata), mas impraticável para quem precisa trabalhar. Sem telefone no quarto, wi-fi em áreas reduzidas e eu nem trouxe laptop. Afinal, o jornal tem sucursal no Rio e, em Copacabana, onde costumo ficar, tem um cyber café em cada esquina. Hoje espero me mandar para um lugar mais central, mais encravado no mundo. Mas, enfim, cá estou, o último com as primeiras. E ‘Lula’ foi indicado pelo Brasil para concorrer ao Oscar. Vai ser a segunda grande ironia, em relação ao filme, se isso ocorrer. Todo mundo acha que já estamos fora, mas eu, que não entendo nada de Oscar, acho que existem aspectos a considerar. O diretor Fábio Barreto já foi indicado – por ‘O Quatrilho’ – e o perponagem é conhecido, essas coisas talvez ajudem. E vocês sabem que eu gosto do filme do Fábio. Fui um defensor solitário. Até hoje me horroriza o débil mental que postou um comentário dizendo que o acidente com Fábio era a prova de que Deus existe. ‘Lula’ fracassou na bilheteria, não um fracasso retumbante, mas de qualquer maneira não obteve míseros 10% da expectativa de público de seus produtores (Luiz Carlos e Paula Barreto). Isso não impede que a candidata do presidente, e convenhamos que há uma campanha contra, lidere as pesquisas com folga e já possa levar no primeiro turno. É a primeira ironia a que me referi antes. Fábio, numa das últimas entrevistas que deu – a última? -, me havia dito que o inimigo ‘dessa gente’ não era o filme, que o filme não ia fazer diferença no processo eleitoral, como, de resto, não fez. ‘Lula’, o filme, vai? Não sei, mas seria divertido, não sei se é a melhor palavra, se fosse. Dilma, pelo visto e a menos que ocorra um cataclismo, já foi. Sem ‘Lula’, o filme, mas com Lula, o de carne e osso. Sobre a abertura do Festival do Rio, ontem à noite. Eu parecia o próprio Jabor. Um monte de gente, sabendo que gostei de ‘A Suprema Felicidade’, veio me prestar esclarecimentos. Uns acham que o filme tem momentos deslumbrantes, mas não dá ‘liga’. Outros me dizem que não ‘viajaram’ e um reclamou de uma das coisas de que mais gosto, a reconstituição de época, que Jabor trata por meio de detalhes, planos fechados, só um que outro aberto, mas a coisa funciona, e bem. Eu continuei ‘viajando’. Chorei de novo com ‘Paulinho’ (Jabor?), quando ele diz que é tudo uma m… e que não quer ser como seus pais. Chorei mais ainda no desfecho, quando o avô, Marco Nanini, genial, pede – ‘Deixa eu ir, deixa?’ – e executa aquela dança, aquela reverência de sambista que, para mim, já é um dos momentos mais belos do cinema brasileiro. A maratona começa hoje. E, à noite, teremos o Skolimowski apresentando ‘Essential Killing’, premiado em Veneza. Algumas pessoas confiáveis me disseram que o festival (Veneza) estava uma bosta. Pode até ser que seja verdade, mas estou nos cascos para ver os filmes de Skolimowski, Sofia Coppola e todos mais que Hilda Santiago tenha conseguido trazer.

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