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Luiz Carlos Merten

25 Junho 2007 | 09h21

Redigia o post anterior, falando sobre Dalton Trevisan, quando me lembrei que o universo do escritor já serviu de base para o filme Guerra Conjugal, de Joaquim Pedro de Andrade. Aliás, no programa da peça, antes mesmo de falar da Educação Sentimental do Vampiro, o redator (anônimo) do folheto nos faz saber qure Dalton Trevisan odeia jornalistas. Imagino que nem todos, porque seria mais uma generalização burra e, se há coisa que o Dalton não é, é burro. É um escritor que tem um universo, mas você lê o identifica o pé no real. Seus personagens não são estranhoas para a gente. Às vezes somos até nós! faz tempo que não vejo Guerra Conjugal. Devo ter visto só na estréia, há mais de 30 anos. Não foi um dos meus Joaquins preferidos. O Joaquim Pedro que gosto é o mineiro, de O Padre e a Moça e Os Inconfidentes. O tropicalista não me apetece muito, mas agora, retrospectivamente, acho que Guerra Conjugal deve ser o filme do meio do caminho entre as duas tendências. O universo de repressão bate com o clima mineiro, mas a maneira mais escrachada de expor as taras da classe média talvez tenha um pé no humor de Macunaíma. Como digo, faz tempo que não vejo Guerra Conjugal. Talvez esteja dizendo uma bobagem, mas gostaria de rever o filme para tirar a teima. Antes que alguém me diga que é fácil – não, não vou baixar na internet. E, ah, sim, a utilização dos boleros pelo Felipe Hirsh em A Educação Sentimental do Vampiro vem de outro Joaquim Pedro, o de Vereda Tropical, episódio de Contos Eróticos. O post vai ficar longo, mas vou emendar. Escrevia sobre A Javanesa, o ponto de vista dele e o ponto de vista dela e me lembrei de filmes que tentaram fazer isso. Havia, nos anos 50/60, um diretor francês cujos filmes queriam, desesperadamente, ser sérios. André Cayatte havia sido advogado e jurista antes de virar diretor. Truffaut ironizava – dizia que Cayatte era advogado para os cineaastas e cineasta para os advogados. Até hoje não sei quem formou o júiri criminoso que preferiu dar o Leão de Ouro, em Veneza, para um filme de Cayatte, A Passagem do Reno, e não para o meu amado Rocco, de Visconti. Enfim, em 1963, ele adotou um procedimento narrativo original e fez A Vida Conjugal, que dividiou em dois filmes, Jean-Marc e Françoise, com Jacques Charrier e Marie-Josée Nat. No Brasil, chamaram-se Confissões de Um Homem Casado e Confissões de Uma Mulher Casada. Era possível ver muitas cenas (quase todas) filmadas de ângulo diferente, o que não me lembro mais se era bom, mas era diferente. Depois, nos 70, Waris Hussein fez Os Divorciados do Século ou Divórcio Dele, Divórcio Dela, usando o casal Brad Pitt/Angelina Jolie da época, Richard Burton/Elizabeth Taylor, para contar a história de um divórcio do ângulo dos dois cônjuges. Até onde me lembro, o filme era horrível, o que foi, para mim, motivo de grande decepção, porque achava muito bonito um filme que o Waris Hussein havia feito antes – Melody, Quando Brota o Amor, sobre amores teens. No caso de Os Divorciados do Século, ele usava o próprio casal 20, pois Burton e Taylor viviam se casando e separando. Não creio que quisesse rever Os Divorciados, mas Confissões até que sim.