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Mirageman, você já ouviu falar…?

Luiz Carlos Merten

01 Abril 2008 | 12h52

Volto a Santiago, a capital, como tema. Para mostrar que nem tudo são flores e a preocupação com o trânsito não resolve outros problemas da cidade, devo acrescentar que cheguei de Antofagasta no sábado à noite e, no próprio aeroporto, ao tomar um táxi para o hotel, me advertiram que ficasse atento porque era a ‘noite del joven combatiente’. Todo 29 de março, nos últimos anos, Santiago tem virado campo de batalha – este ano, menos – porque jovens de periferia usam a fachada do protesto para delinqüir. A origem deste movimento remonta aos tempos de Pinochet, o famigerado, quando os integrantes de uma família de periferia foram confundidos com terroristas e sumariamente executados. A imprensa chilena discute se o movimento desses jovens, que persiste até hoje – e ganha adeptos -, tem um apelo revolucionário, expressa a revolta dos excluídos ou é simplesmente vandalismo de quem aproveita a data para barbarizar. Seja como for, limitei-me a uma ida ao cinema, num shopping próximo ao hotel (perto da Plaza de Armas). Vi na TV, no domingo, que só em bairros mais distantes ocorreram confrontos. Agora, os filmes, ou o filme. A grande sensação nos cinemas chilenos é um filme chamado ‘Mirageman’, de Marko Zaror, que cria o primeiro super-herói chileno, um especialista em artes marciais que, sem poderes especiais, apenas com suas habilidades, faz de tudo para garantir melhores condições de vida a seu irmão caçula (que é doente). Vocês devem saber melhor que eu – tem um cara nos EUA, um crítico, cujo blog é campeão mundial de acessos. O cara virou o terror da grande indústria, porque, pelo que li na imprensa chilena, Hollywood o responsabiliza pelo fracasso do novo Super-Homem, aquele do Bryan Singer, sobre o qual ele caiu matando. Pois bem, o sujeito em questão se tomou de amores por ‘Mirageman’ – e o filme é legal, um super-herói pobre e sem outro poder que não o da sua vontade de ser justo -, tendo iniciado um culto ao filme de Zaror que, no Chile, já é bem intenso, principalmente entre jovens. Engraçado é que, agora que fiz a junção dos jovens combatentes com o sucesso (local e internacional) de ‘Mirageman’, me dou conta de que as duas coisas talvez tenham ligação. De qualquer maneira, acho que ‘Mirageman’ poderia ser uma boa sacada de nossos distribuidores independentes. Quem sabe eles trazem o filme de Zaror? Ou vão esperar que ele estréie nos EUA e que, eventualmente, faça sucesso por lá ‘para pensar em trazê-lo? Os fãs de artes marciais vão agradecer, tenho certeza.