Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Minhas anjas da guarda

Cultura

Luiz Carlos Merten

25 Outubro 2009 | 23h53

Vou poupá-los dos percalços dos meus últimos dias para me concentrar no essencial. Leo não gosta quando a chamo por seu nome completo, Leonirce. Leo é meu anjo da guarda no jornal. É ela quem faz a programação – grande – da TV no ‘Caderno 2’. Sem a Leo, dificilmente conseguiria fazer minha amada coluna de filmes na TV. Arranjei agora outra ‘Leo’. Na verdade, é a Elleonora, leitora do blog, que no outro dia disse que essa história de futuro do cinema a propósito de James CAmeron e Raya Martin, era perda de tempo, converso fiada. Elleonora disse que o futuro do cinema estava num filme do Azerbaijão, ‘A 40ª Porta’, que havia visto não sei onde. Chequei a lista, o filme está na Mostra – passa na quarta-feira – e eu o vi ontem pela manhã. É maravilhoso. Obrigado, Leo. Corram a tirar seus ingressos. ‘A 40ª Porta’ não tem a ousadia das pesquisas estéticas do filipino Raya Martin, de ‘Independencia’, mas, em compensação, é de uma beleza e possui um significado sociasl e humano que me deixou em transe. Prometo voltar a esse filme, mas só queria deixá-los de sobreaviso para que não o percam. Não tenho visto nada muito bacana. Ontem à noite, assistib a ‘Bollywood Dream’, de Beatriz Seigner, que possui algumas ideias interessantes e chega a ser charmoso justamente pela limitação – leia-se pobreza – de recursos com que foi feito. É mais do que possop dizer de ‘Um Homem Qualquer’, de Caio Vecchio – espero não estar errando o nome -, que vi no final da tarde. Carlos Reichenbach fez há muitos anos o seu ‘Fausto’, que intitulou ‘Filme Demência’. O verdadeiro filme demencia foi esse que vi hoje e que também poderia se chamar “Se nada Mais Der Certo’. Um sujeito em crise se envolve com uma atriz que realiza pesquisa para uma peça de teatro nas qual vai interpretar uma sem-teto. Precisaria detalhar muito mais as 1001 reviravoltas da história para que vocês tivessem alguma noção do que o diretor Vecchio queria dizser – e não estou muito seguro de que tenha conseguido. Se saí chapado da sessão de ‘A 40ª Porta’, saí desconcertado da de ‘Um Homem Qualquer’. Cuidado, perigo, é só o que posso dizer.