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Minha tarde nos jardins de Monet

Luiz Carlos Merten

04 Junho 2017 | 14h13

PARIS – Fizemos, Dib Carneiro e eu, na sexta, o circuito dos castelos do Loire. Chambord, Cheverny/Amboise e Chenonceau. Dib morre de rir com minhas referências, que são sempre de cinema. Chenonceau era o castelo da amante do rei, Diana de Poitiers, aliás, Lana Turner (em Diana de França, de David Miller), expulsa pela rainha Catarina de Médici (Virna Lisi em A Rainha Margot, de Patrice Chéreau), após a morte de François I (o mexicano Pedro Armendáriz). Roger Moore, o futuro 007, num de seus primeiros papeis em Hollywood, fazia o príncipe Henri, futuro rei Henri II. Ontem fomos às galerias do Grand Palais, na exposição do centenário de Auguste Rodin. Impressionante! Tenho de admitir que me decepcionei com o Rodin do recente filme de Jacques Doillon, aliás, Vincent Lindon – não propriamente o ator -, mas gostei de ver A Porta do Inferno e o monumental Balzac, cujas polêmicas, sobretudo o segundo, estão no centro do filme. E hoje fomos a Giverny, aos jardins de Monet. Em plena primavera, os jardins não poderiam estar mais floridos. Queria tanto voltar ao Chez Julien, onde jantei com Elaine Guerini, mas estou pensando em emendar La Cordillera, de Santiago Mitre, na mostra Un Certain Regard, no Reflets Medicis, com Mortalmente Perigosa/Gun Crazy, o suprassumo do noir, de Joseph Lewis, na vizinha Filmothèque. Privilegiei, em Cannes, os filmes da competição (claro) e das mostras Cannes Classics e Quinzena dos Realizadores, em detrimento de Um Certo Olhar, até porque sabia que, em Paris, poderia recuperar alguma coisa dessa última. Vi e gostei muito de La Bella et la Meute, A Bela e a Matilha, da tunisiana Kaouther Ben Habia, inspirado num caso real, em que a bela tenta fazer valer seus direitos após ser violada e os ‘lobos’ são policiais, os autores do crime, que vão fazer todo tipo de pressão para intimidá-la a não levar o caso adiante. O filme se passa numa só noite, mais angustiante do que a de Depois de Horas, de Martin Scorsese. Mas o júri de Un Certain Regard, presidido por Uma Thurman, preferiu dar seu prêmio a Las Hijas de Avril, de Michel Franco, em que a almodóvariana Emma Suárez, de Julieta, faz uma mulher que rouba a vida da filha, tomando-lhe o marido e a cria, o genro e a neta. Jesus! O cinema como espelho do mundo. Tirem da cama e transfiram para a política, no Brasil atual. Temer…?