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Cultura » Minha amiga, posso dizer assim?, Francesca

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Luiz Carlos Merten

31 Agosto 2011 | 00h01

Há tempos que não saía com meus amigos Dib Carneiro e Gabriel Villela. Dib tem acompanhado os ensaios da nova montagem de Gabriel, que estreia em novembro. Écuba, sem H, ou As Troianas, de Eurípedes. Bem antes deisso, em duas semanas, estreia no Sesc (qual?) ‘A Crônica da Casa Assassinada’, que Dib adaptou do romance de Lúcio Cardoso e Gabriel Villela transformou num dos mais belos e radicais espetáculos recentes do teatro brasileiro. Meu amigo Vilmar Ledesma vai amar, tenho certeza. Não conheço ninguém que goste tanto de Lúcio Cardoso. Para ‘Écuba’, Gabriel trouxe da Itália Francesca della Monica, que leciona Dramaturgia da Voz na Universidade de Milão. Francesca prefere dizer que pratica uma antropologia da voz. Ela veio treinar os atores de Gabriel para cantar a trilha que ele escolheu, de Goran Bregovic. Sérvio-croata? Dib anda no sétimo céu e se arrepia só de contar a emoção que experimenta a cada tarde, vendo nascer e tomar forma a nova criação de um dos maiores diretores do teatro brasileiro. Fomos jantar na Speranza. Meu assunto com Francesca foi o cinema italiano. Visconti, Visconti, Visconti – que ela também ama, ‘Rocco e Seus Irmãos’. Considero um privilégio ficar ouvindo uma pessoa que tem conexõers no teatro e no cinema de seu país. Essas histórias de bastidores me encantam. Sei lá se vocês sabiam, mas ela preparou Dominique Sanda para ser Gertrudes, numa montagem italiana de ‘Hamlet’. Ficaram amigas. Dominique casou-se com um filósofo argentino, um homem que faz uma releitura muito interessante da escolha de Galileu Galilei, sob a Inquisição. Dominique mora hoje em Buenos Aires. Tem uma casa em Montevidéu. A história me encantou. Estreia, neste mês de setembro, a montagem uruguaia de ‘Salmo 91’, do Dib. Fiquei na maior fissura para voltar ao Uruguai e tentar encontrar Dominique, com quem Francesca permanece em contato. Falamos de Fellini, eui com  a minha fixação em ‘Oito e Meio’, por causa da Saragina. Gabrierl prefere ‘E la Nave Va’, a própria Francesca tem uma queda por ‘Julieta dos Espíritos’, que aqui sempre foi considerado um Fellini menor. Algumas coisas que ela me contou me pareceram muito íntimas para alardear no blog. Uma diva italiana, ligada à grande fase de um autor fundamental, está sofrendo de Alzheimer. Oh, Deus, quase chorei, lembrando-me de Annie Girasrdot e do meu amigo Tuio Becker. Foi uma noite maravilhosa. Francesca viaja para Minas, para Belo Horizonte, onde vai ministrsar uma oficina. Volta a São Paulo e embarca para a Itália, onde vive atualmente em Florença, ou melhor, não propriamente em Florença, mas em Livorno. que é vizinha. Em homenagem a Francesca, estou com a trilha de ‘A Rainha Margot’, de Bregovic, nos ouvidos, mas ela, como eu, ama ‘Rocco’ e a trilha de Nino Rota. Em todos os seus trabalhos, Frasncesca gosta de trabalhar com os atores com os sonsa de ‘Rocco’ de fundo.