Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Minas!

Cultura

Luiz Carlos Merten

22 Janeiro 2011 | 10h42

TIRADENTES – Cá estou em Minas, nas Gerais, desde ontem, para a mostra da Universo Produção, das irmãs Raquel e Fernanda Alaki. A cidade é ecantadora, Dib Carneiro vem para cá na segunda-feira e vai tentar arrastar Gabriel Villela, que, ultimemente, das Minas, só quer saber de seu sítio (e seus cachorros). Justamente na segunda come~ça a mostra Aurora, a menina dos olhos, o grande difderencial de Tiradentes. No meu texto de ontem do ‘Caderno 2’, assinalei que cada um dos grandes festivais de cinema brasileiro tenta ter a sua característica, um perfil diferenciado. Brasília, â sombra do poder, é o mais político; Gramasdo era o mais glamouroso, ligado ao tapete vermelho, mas nos últimos anos deu uma guinada em direção ao cinema de autor; Recife é aquele calor humano, a euforia do público no monumental Cine-Teatro Guararapes. E Tiradentes? Tiradentes tem várias seções, mas a Aurora é a principal. Privilegia novcos diretores e experimentadores da linguagem, embora Júlio Bressane, se fosse consultado, talvez dissesse que, com a morte de Rogério Sganzerla, sobrou só ele como autor de cinema experimental. Fui ontem conversar com Bressane no fim da noite. Havia ao jantar de abertura na Pusada Nova Tiradentes, não havia carro, ficamos ali, um grupo de jornalistas e convidados, jogando conversa fora. Bressane chegou e fui cumprimentá-lo. Embora seu cinema seja distinto dos de Woody Allen e Manoel de Oliveira, Bressane compartilha uma característica com os dois. Como Allen e OLiveira, todo ano você pode experimentar pelo Bressane da vez. Podia – este ano não houve novo filme de Bressane. Ele se queixou da desgraça do cinema brasileiro, que se repete há 40 anos. Bressane inscreveu ‘O Beduíno’ em não sei quantos concursos, foram selecionados 66 filmes e o dele ficou de fora. Ele não provoca – afirma, categoricamente; no Brasil existem seis diretores, está implícito que é um deles, mas as leis de patrocínio selecionam 66 filmes e o ignoram. É a copmplicada questão do mercado – embora exista um mercado para o filme de experimentação, de arte, e Bressane mantém o dele cativo. Seus filmes custam barato, mantêm uma estabilidade de frequência rara. Não são centenas de milhasres de espectadores, mas as dezenas que acompanham Bressane não arredam pé. Compreendo a sua indignação, o seu desencanto. Vou adiante falando sobre a abertura da Mostra de Tiradentes. No próximo post.

Encontrou algum erro? Entre em contato