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Cultura » Mickey Rourke, Veneza e… Nós!

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Luiz Carlos Merten

07 Setembro 2008 | 12h44

Há três anos – foi em 2005, não? -, Mickey Rourke ressurgiu das próprias cinzas, em Cannes, no filme que Robert Rodriguez e Frank Millar adaptadaram das HQs do segundo, ‘Sin City’. Rourke andava tão por baixo que ele próprio, humildemente, bateu no peito e disse em sucessivas entrevistas que ia fazer de tudo para não ‘screw’ de novo com sua vida e carreira, como havia feito antes, com excesso de drogas e bebidas. Parece que esta história está tendo happy end. Nunca fui muito fã de Mickey Rourke, exceto por ‘O Selvagem da Motococlreta’, do Coppola, mas o cara fazia furor – e era mito sexual – na época de ‘9 e 1/2 Semanas de Amor’, de Adrian Lyne, e ‘Coração Satânico’, de Alan Parker, dois diretores vindos da publicidade, pelos quais nunca tive muito apreço. Mas ‘9 e 1/2 Semanas’ fez tanto sucesso que até o Spike Lee, na cara dura, copiou a cena de sexo em que o cara passa os cubos de gelo nos mamilos da parceira até deixá-los bem rígidos (em ‘Faça a Coisa Certa’, não?). Estou falando de Mickey Rourke porque ontem Veneza sactramentou sua ressurreição. ‘The Wrestler’, de Darren Aronofsky, ganhou o Leão de Ouro da edição deste ano, que, até onde estou sabendo – não acompanhei a cobertura, mas muita gente me comentou -, foi muito fraca, a pior dos últimos anos. Cannes, pelo contrário, teve uma de suas melhores seleções em 2008. O que terá ocorrido no Lido? O diretor artístico Marco Müller não encontrou coisas melhores? Estou falando de ouvido, mas espero conferir a tal seleção de Veneza – parte dela, pelo menos – no Festival do Rio, que começa dia 25. Em geral, o Rio não tem, tempo hábil para trazer muitos filmes de Veneza – os festivais são muito próximos -, mas no ano passado a nata já foi apresentada por Ilda Santiago. Espero que ela repita a dose, mas de qualquer maneira teremos em outubro a Mostra de São Paulo, e aí Leon Cakoff tem um pouco mais de tempo para garimpar o melhor de Veneza. Espero, também, que ocorra de novo aquele festival que traz a São Paulo todos os filmes italianos que participaram das diferentes seções da mostra veneziana. Dito tudo isso, e mesmo achando legal que Mickey Rourke tenha conseguido manter a própria palavra, dando a volta por cima, assusta-me um pouico pensar que o filme do Aronofsky possa ter sido o melhor de Veneza em 2008. Ave Maria! Sei que ele tem muitos admiradores, mas até hoje não houve um filme do diretor que eu tenha achado minimamente intetressante. Cada filme dele me parece um porre maior que outro – ‘Pi’, ‘Réquiem para Um Sonho’, ‘A Fonte’ (este, eu achei horroroso, apesar de Rachel Weisz). Mas, vamos lá, Merten, sem preconceito. Eu também achava Christopher Nolan um porre quase tão grande quanto o Aronofsky – ‘Amnésia’ e ‘Insônia’ me pareceram insuportáveis – e, no entanto, os dois “Batmans’ do Nolan, e o segundo, em especial, me justificaram amplamente as suas experiências anteriores, incluindo a decupagem ‘invertida’ de ‘Memento’. Tudo o que Nolan propunha, todas as suas ‘inversões’, convergem genialmente para o confronto de Batman e Coringa no andaime, a melhor cena (isolada) do cinema neste ano, até agora. Quem sabe o Aronofsky também não está tomando prumo na vida? Não era sem tempo…