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Luiz Carlos Merten

28 Outubro 2010 | 18h42

Hoje pela manhã, tinha um monte de matérias para redigir e saí para entrevistar Michel Ciment e Alan Parker, que são jurados da Mostra. Acompanho Ciment há anos, em Cannes, como mediador de debates. Comprei vários de seus livros de entrevistas e nenhum me agrada mais do que de Elia Kazan. Falasmos sobre as diferenças entre ‘Cahiers du Cinéma’ e ‘Positif’, à qual sua história pessoal está ligada. Avisando que seria um pouco ‘méchant’, Ciment me disse que a grande diferença entre as duas revistas é que ‘Positif’ ama o cinema e ‘Cahiers’ só ama a si mesma. Provoquei perguntando o que ele achava de ‘Tropa de Elite’. Ciment falou do 1, porque ainda não viu o 2. Esculachou o filme de José Padilha, chamando-o de ‘criptofascista’, e disse que não gosta do que diz nem como diz. Estyou me sentindo culpado porque ele me pediu que falasse, na reportagem, sobre seus programas de rádio, mas não consegui incluí-los no texto. Ciment escreveu livros sobre Losey, Kazan, Kubrick, John Boorman. Conheceu todos os grandes  – Hawks, John Ford, Fellini, Hitchcock, Visconti. Perguntei-lhe qual dessas figuras míticas mais o impressionou. Vou carregar para o túmulo a amargura por não ter tido espaço para reproduzir o que ele me disse de seu encontro com Joseph L. Maniewicz, na casa de campo do grande cineasta. Mankiewicz com seu cachimbo, entre os 15 mil livros de sua biblioteca pessoal, muitos raros, dizendo que só o recebia porque havias sido recomendado por seu amigo Kazan. A entrevista foi feita na época de ‘Sleuth’, Jogo Mortal, e Ciment me disse que quase não perguntou. somente ouvia Mankiewicz falar, despejar sua imensa erudição sobre todos os assuntos. Na estante, os quatro Oscars que recebeu, por direção e roteiro, em anos consecutivos, 1949 e 50. Os filmes eram ‘Quem É o Infiel?’ (A Letter to Three Wives) e ‘A Malvada’ (All about Eve). Poderia ter ficado o dia inteiro ouvindo Michel Ciment, mas tinha de falar com Alan Parker e voltar correndo para começar a redigir, quase à uma da tarde, as entrevistas com os dois para o ‘Caderno 2’ de amanhã (e a edição fecha às 14h30). Espero que Leon Cakoff tenha previsto um enconto do público com  Michel Ciment. Vai valer a pena.

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