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Luiz Carlos Merten

27 Dezembro 2007 | 21h09

Leio o primeiro comentário do post anterior e topo com a informação do Régis. Michael Kidd morreu. Tinha 90 e tantos anos. Não faço a menor idéia como estava, mas a notícia me toca de uma maneira muito particular. Já disse muitas vezes que não sou o maior fã de musicais, mas Michael Kidd era especial. Afinal, foi ele o homem que pôs para dançar todos aqueles caubóis em ‘Sete Noivas para Sete Irmãos’, de Stanley Donen. Sempre achei que a coreografia dos machados, naquele filme, era coisa de gênio, mas agora o que me veio foi a loucura da cena da destruição da cidadezinha de madeira, que os irmãos estão levantando quando começa a pauleira. Gene Kelly era energético (e até acrobático), Fred Astaire era elegante (um gentleman) sapateando, mas Michael Kidd… Além da coreografia ‘viril’ de ‘Sete Noivas’, ele criou as cenas de dança de outros dois clássicos – ‘A Roda da Fortuna’ (The Band Wagon), de Vincente Minnelli, e ‘Eles e Elas’, de Joseph L. Mankiewicz. No musical de Minnellini, Fred Astaire e Cyd Charisse caminham no Central Park e, de repente, estão dançando. Santiago, o mordomo da família Moreira Salles, era louco pelo filme e, imagino, pela coreografia de Michael Kidd. Msrcado por aquela imagem, ele levou João Moreira Salles a uma descoberta que o diretor enuncia, ao usar a cena para construir uma metáfora deslumbrante em seu documentário sobre Santiago. Comecei com Michael Kidd e agora já estou delirando. Vim parar em ‘Santiago’, o filme, que coloquei na ponta – com ‘Ratatouille’ – da minha lista de melhores do ano que sai amanhã no ‘Caderno 2’. Este blog virou a minha madeleine. Uma sucessão de tempos perdidos e reencontrados. O tempo reencontrado com Michael Kidd aponta para emoções que são inesquecíveis.