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Luiz Carlos Merten

29 Julho 2007 | 10h36

Acho que já contei para vocês, mas vou contar de novo. Em Cannes, em 1995, fui me credenciar no escritório da Columbia, para fazer não me lembro que entrevista. Uma das meninas me perguntou, em bom inglês, se eu quebrava um galho para ela. Ali, no fundo – havia um terracinho –, estava um diretor que havia vindo para o mercado e cujo filme estava bombando nos EUA, mas ninguém sabia, ela não tinha agenda para ele. Era Michael Bay, pelo primeiro Bad Boys. Será que eu falava com ele? Claro que falei. O problema é que eu tinha pouco tempo e o Bay falava pelos cotovelos. Me contou de todas as vezes que estivera em Cannes e dos Clios (a Palma de Ouro da publicidade) que recebera. Ele se divertira muito fazendo Bad Boys, com efeitos perigosos (que iam virar sua marca). Michael Bay voltou a Cannes com Armageddon, mas aí foi uma coletiva, e no junket de Bad Boys 2 ele nem foi, deixando ao elenco – Will Smith, Martin Lawrence e Jordí Melà – a tarefa de promover o filme para a imprensa internacional. Era um cara bonitão, esportista. Tem a cara do cinema que faz, ou o cinema que faz tem a cara dele. Não gosto de Armageddon – exceto da cena melodramática em que os caras lá do espaço falam com a família na Terra; eles sabem que vão morrer e aproveitam para se despedir; Bruce Willis é pai de Liv Tyler – e menos ainda de Pearl Harbor, cujos efeitos me cansam. Foi um raro filme em que saí do cinema exausto, fisicamente. Prefiro mil vezes o mais lento dos filmes do Antonioni, ou do Tarkovski. E não é que o Michael Bay me surpreendeu com Transformers? Vocês conhecem a história da Greta Garbo e do Jean Cocteau? Eu conto. Greta foi ver A Bela e a Fera. Na entrada, pediu – ‘Étonne moi, Jean’ (do verbo étonner, deslumbrar, maravilhar). Na saída, em inglês, disse ‘Give me back my beast’ (Quero a minha fera de volta). Bem – não vou pedir nenhum transformer de volta, mas Michael Bay me etonou.