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Luiz Carlos Merten

10 Fevereiro 2007 | 10h04

BERLIM – Ao leitor que ontem reclamou do meu desprezo por Michael Bay, dizendo que me baixou o espirito de Cahiers du Cinema. Quero contar duas historias. Fiquei escandalizado com o numero de janeiro da revista, que junta dois filmes, Deja Vu e O Bom Ano, e nao analisa nenhum, limitando-se a dar um pau nos irmaos Scott (Tony e Ridley). Nao achei uma coisa seria – ateh porque gosto de O Bom Ano -,e me pergunto por que ainda folheio a revista. Raramente leio e, quando isso ocorre, salvo os textos sobre Shyamalan (que eles, como eu, veneram), eh para me irritar, como foi o caso aqui. Bem feito, hao de dizer os defensores de Os Infiltrados, que devem ficar igualmente irritados quando falo mal do filme do Scorsese (que Cahiers adora, vale acrescentar, tendo dado capa para Jack Nicholson). A segunda historia eh sobre Michael Bay. Nem me lembro mais o ano, mas certa vez fui ao escritorio da Columbia em Cannes, durante o festival. Queria entrevistar nao sei mais quem e a assessora, meio no desespero, me perguntou se eu nao queria fafazer o favor de falar com um cara que estava ali num canto, entregue aas tracas (leia-se trassas). Era o Michael Bay, que havia feito o primeiro Bad Boys, que ainda nao havia estourado nos cinemas dos EUA (e do mundo). Conversei um tempao com o cara, que me contou de todas Palmas de Ouro da publicidade que havia ganhado em Cannes e dos filmes de acao que gostava (e queria fazer). Hoje em dia, MB virou tao top de linha em Hollywood que mandam me prender, se eu chegar perto dele. Mas eu devo ser uma das raras figuras na imprensa, no mundo, que pode dar este depoimento sobre MB, antes de estourar.