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Meus encontros notáveis

Luiz Carlos Merten

13 Maio 2012 | 10h52

Quatro dias sem postar – isso deve ser inédito na história do blog, exceto naqueles períodos em que vestive doente, hospitalizado. Não ando muito bem, é verdade. Passei a semana tomando antibiótico, o peito congestionado, tussindo, mas os médicos disseram que o pulmão está bem, sem risco de pneumonia. Só o que me faltava. Estou embarcando amanhã para Paris (e Cannes), tudo o que não me faz falta é uma baqueada. Fui ontem ao Rio, visitar o set de ‘De Pernas Pro Ar 2’. Encontrei o diretor Robert0 Santucci bem relaxado, sem o peso da pressão de estar fazendo um filme exigido pelo mercado, para faturar sobre os 3,5 milhões de espectadores que fez o primeiro. Diverti-me com todas aquelas mulheres maravilhosas – Denise Weinberg, Maria Paula, Ingrid Guimarães e a mãe do cinema brasileiro. Quem é? Marisa Leão. Ela tem uma relação maternal com seus diretores, principalmente se são jovens – com Sérgio Rezende não dá, né? A filmagem era no campus abandonado de uma universidade, no Alto da Boa Vista, um lugar altíssimo, no meio da mata e a produção montou lá um estúdio, agora que uma decisão exdrúxula está acabando com Paulínia como pólo do cinema nacional. Um  quarto de hotel em Nova York, a sex shop que Ingrid e Maria Paula vão inaugurar, também em Nova York e na qual quebram o maior pau, porque Maria acusa a amiga e sócia de estar dando em  cima do seu homem. Visitei os cenários momntados, assisti à filmasgem da cena do bace-boca entre as amigas e adorei a história que me contou a Marisa. Ingrid estava na praia, se aproximou uma mulher que se apresentou dizendo que era ginecologista e contou o seguinte. Depois dos brinquedinhos, o coelho de ‘De Pernas Pro Ar’, muitas pacientes na ‘melhor idade’, isto é, idosas, foram se aconselhar com ela, se haveria inconveniente em utilizar sex toy… Sensacional! O desafio do novo filme era fugir à piada do anterior – gozar ou não gozar? -, mas mantendo o clima. A novidade, entre as engenhocas, é um polvo erótico, um polvinho, cheio de tentáculos, sacaram? Estreia anunciada para 28 de dezembro. O set de ‘De Pernas Pro Ar 2’ foi meu recreio numa semana cheia de encontros notáveis. Por telefone, fiquei horas com Ney Matogrosso e Jorge Mautner, para as capas de sexta-feira e de ontem, sobre ‘Luz nas Sombras’ e ‘O Filho do Holocausto’, que passa terça, dia 15, no Festival do Cinema Brasileiro de Paris. Passei uma tarde, a de terça, com Peter Greenaway, gravando para a TV Estado e fazendo a entrevista que está hoje no ‘Caderno 2’, aproveitando a passagem do cineasta pelo semninário ‘Fronteiras do Pensamento’, em São Paulo. E ainda houve, na quarta, um encontro muito bacana com Water Salles, na Livraria da Vila dos Jardins. Waltinho, na maior gripe, veio me trazer o livro do making of de ‘On the Road’, na verdade, ‘Sur la Route’, editado, em francês, pela Trois. ‘D’Après Kerouac – un homme, un livre, un film, l’odyssée d’un mythe’. Embora baqueado, Waltinho estava indo para Paris para revisar ontem a cópia do filme, que ele quer que seja exibido em película no Festival de Cannes. ‘Sur la Route’ passa dia 23 e, no mesmo dia, estreia na França, somente em junho desembarcando no País. Naturalmente que todo diretor que participa da competição em Cannes sonha com a Palma de Ouro. “Sur la Route’ tem chance? “Você é que vai me dizer no dia 23”, palavras de Walter Salles. Só para constar, Nanni Moretti presidia o júri de Veneza quando ‘Abril Despedaçado’ concorreu e nada ganhou. Isso pode não dizer nada e eu confesso que fiquei nos cascos para ver ‘On the Road’, principalmente depois de conversar com o diretor e conferir, no livro da Trois, a riqueza detalhista da produção. Correndo tanto, durante toda a semana – com matérias e matérias para redigir -, desisti de entrevistar Julien Temple, mas Jotabê Medeiros, que o fez, disse que foi uma ótima entrevista. Jota entende mais que eu de música, de rock. Foi melhor assim. O leitor ainda vai me agradecer.