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Cultura » Meu ‘querido’ Michael Bay

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Luiz Carlos Merten

03 Setembro 2008 | 14h07

Agora me perdi. Jorge Ghiozi usa não sei que post meu sobre excesso de efeitos – terá sido o de ‘Hellboy 2’? – para detonar o ‘Transformers’, de Michael Bay. Cara, contra Deus e o mundo, tenho de dizer que até eu me surpreendo por haver gostado tanto do ‘Transformers’. Nunca pensei que isso pudesse acontecer, porque não gostava dos filmes do cara, mas no ‘Transformers’ Michael Bay me apanhou de um jeito que… Vou te contar. O filme não precisou de mais do que cinco minutos para me seduzir. Fiz até uma elocubração sobre a neutralidade do olho do mal de Hal-9000 em ‘2001’, de Kubrick, com a humanização, através dos olhos, das máquinas do filme de Michael Bay. Era como se aqueles robozões tivessem expressão – na voz, no ‘olhar’. Todo mundo no cinema comendo pipoca e eu chorando com o robô que se ‘sacrificava’ pela humanidade. Só eu… Confesso que tive uma sensação parecida com o ‘Speed Racer’, dos irmãos Wachowski. Tantos efeitos, tanto barulho e eu também viajei de cara, já na cena de abertura, com a trama do menininho que idolatra o irmão mais velho. O filme me pareceu uma trágica (auto)reflexão dos Wachowski, que criaram a trilogia ‘Matrix’ – dois irmãos, um deles faz uma cirurgia irreversível de mudança de identidade (um dos Wachowski, Larry, fez uma operação de mudança de sexo e virou Linda). É incrível como o cinema, sendo uma experiência coletiva – sala enorme etc e tal – permite a fruição individual. ‘Guerra dos Mundos’, a versão de Spielberg, foi outra dessas experiências. Estava viajando, não sei para onde, e fui ver o filme que Spielberg adaptou da fantasia futurista de H.G. Wells. Zanin, meu colega Luiz Zanin Oricchio, havia visto e detestado, acho que deu bola preta. Eu fui ver o fiquei siderado, porque o filme fechava magistralmente o que para mim se constitui numa trilogia – ‘O Terminal’, ‘Munique’ e ‘Guerra dos Mundos’ – para retratar os EUA sob George W,. Bush sem que uma palavra seja ditada sobre o presidente nem sobre o 11 de Setembro. Não curto o efeito pelo efeito, mas quando ele está a serviço da história, e a história é bacana, viajo mesmo!