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Luiz Carlos Merten

19 Dezembro 2006 | 16h20

Estou no Rio, onde visitei, de manhã, o set de Meu Nome não É Johnny, novo filme do Selton Mello, baseado no livro do Guilherme Fiuza. Marisa Leão produz e Mauro Lima dirige. Mauro fez Tainá 2 e, quando eu perguntei que acidente de percurso o tinha trazido para este filme sobre um cara de classe média que incursiona pelo mundo das drogas, ele me disse que o acidente tinha sido o filme sobre a menina da selva amazônica. Johnny tem muito mais a pegada, a cara, o clima do Mauro, e não que ele faça parte deste universo. Mauro foi diretor contratado pela Marisa, mas não chegou de pára-quedas ao set de filmagem. Mauro assina o roteiro com a própria Marisa e o Selton diz que está sentindo o cheiro de um bom filme. De cheiro o Selton entende – o do ralo, no filme do Heitor Dhalia, é muito legal. Contei da nossa decisão de jurados da APCA, a Associação Paulista dos Críticos de Arte, de deixar para lhe dar o prêmio de melhor ator no ano que vem, pelo Cheiro, justamente, e ele, sem reclamar, observou que não dá sorte na APCA. Nunca ganhou nada, na TV nem no cinema, o que não deixa de ser grave, porque não tem ator que tenha mais a cara do cinema brasileiro dos últimos anos que ele. A cena filmada nesta manhã era a da cadeia, set construído num pavilhão da na rua Orestes, no Bangu, onde antes funcionava a fábrica Behring. O lugar é impressionante e tem sido usado como locação. A cena da tortura de Zuzu Angel foi feita ali. Claudio Amaral Peixoto fez um trabalho impressionante de direção de arte. De novo, como no Carandiru cenográfico de Babenco, senti a opressão da cadeia. O plano filmado era um plano-seqüência. Selton chega à prisão, o riquinho preso por sua ligação com o tráfico. Ele entra na cadeia e conhece Charles (Flávio Bauraqui), que manda no pedaço, mas não por muito tempo. Charles é quem diz a frase – Bem-vindo ao inferno, Johnny (ou coisa parecida). Selton responde o título do filme e do livro, Meu nome não é Johnny. Estão todos entusiasmados. Selton, Marisa, Mauro. O filme promete. A idéia é aprontar para lançar no fim do ano que vem. Em janeiro, a equipe, enxugada ao máximo, faz uma semana de filmagem na Europa (Barcelona e Veneza). Marisa está eufórica. Conclui Inesquecível, de Paulo Sérgio Almeida, para lançar em julho. Dois filmes diferentes em tudo, um romântico, um pauleira. E ela confessa – não gosta só de fazer o filme, gosta de ir fundo no lançamento. Trabalho não vai lhe faltar e eu vou ter de voltar, no jornal e no blog, a Meu Nome não É Johnny. Todos me disseram coisas interessantes – Marisa, Mauro, Selton – que vale repercutir.