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Luiz Carlos Merten

10 Abril 2009 | 08h56

PORTO ALEGRE – Começou aí em São Paulo na terça um ciclo sobre ‘aspectos’ do cinema japonês contemporâneo. Muitos diretores que não conheço e o bom de um ciclo desses é a possibilidade que oferece para a gente se atualizar com nomes e tendências. No limite, poderemos até não gostar, mas faz parte. Hoje, se estivesse aí, correria ao Centro Cultural São Paulo para assistir às 4 da tarde – e de graça – a um filme de Yoji Yamada, ‘Espada Oculta’. Yamada visitou São Paulo anos atrás, quando a Fundação Japão fez uma retrospectiva de sua obra. O velhinho tem sido um habitué de Berlim, quer dizer, seus filmes, porque ele, sempre invocando questões de saúde, nem sempre vai. Tenho um carinho especial pelo Yamada. A gente sempre fala da longevidade da série com James Bond, mas ela teve vários atores, diretores e até produtores na condução da franquia. Yamada, sozinho, é diretor da série mais longeva do cinema, ‘É Triste Ser Homem’, que teve mais de 30 episódios e acabou com a morte do ator. No cinema japonês, ele sempre fez a ponte do popular e do clássico, fazendo filmes para o grande público e ganhando o aval da crítica, a ponto de ter recebido, diversas vezes, como diretor, o grande prêmio do cinema do país. Yamada, bem tardiamente, descobriu o cinema de samurais. Seus filmes se destacam porque tratam do ocaso da cultura do sabre, mostram os dramas humanos de samurais decadentes, empobrecidos, que ainda tentam viver com códigos de ética num mundo que os rejeita. Masaki Kobayashi, na obra-prima ‘Hara-kiri’, olha para este mesmo período como tragédia. Yamada, eu diria que é ‘neo-realista’, mas com uma abordagem muito livre do termo (não sei se vocês entendem o que estou querendo dizer). ‘Espada Oculta’ conta a história de dois amigos, discpípulos de um grande espadachim. O mundo está mudando e só um recebeu o segredo da espada oculta do título. Que uso fará dela? E qual será a reação do outro? Confesso que, dado o teor da série ‘É Triste Ser Homem’, surpreendeu-me ver como Yamada coreografa bem as cenas de lutas. Repito – se estivesse em Sampa, correria à tarde ao CCSP. E vocês?

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