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Luiz Carlos Merten

27 Abril 2007 | 10h49

RECIFE – Às vezes, muito raramente, é verdade, lamento ser – estou falando do ponto de vista profissional – como sou, mas detesto fazer lição de casa. Vou para uma entrevista sem pesquisar, chego aos festivais sem uma olhada, sequer, no programa, o que, mais de uma vez, já me criou problema, quando descubri que havia perdido alguma coisa imperdível e tive de correr para recuperar o prejuízo. Mas não tem jeito. Só na terça, de manhã, descobri que o Festival do Recife havia apresentado, no dia anterior, Vidas Secas. Claro que já vi o filme ‘N’ vezes, inclusive na TV paga, mas há tempos não acompanho a saga de Fabiano, Siá Vitória e dos meninos numa tela grande, onde a morte de Baleia fica mais impressionante, ainda, e vira uma metáfora muito maior do que simplesmente a morte de uma cachorrinha no sertão. Simplesmente? Imagino que já tenha aí algum cinófilo querendo me matar. Calma, gente, sou chachorreiro, também, e não vai aqui nenhuma discriminação contra os chamados ‘melhores anmigos do homem’. Enfim, não revi Vidas Secas, mas ontem encontrei o próprio Nelson Pereira dos Santos, que está aqui no Recife para a homenagem que o festival presta, hoje à noite, ao grande fotógrafo Dib Lutfi (que, para mim, é sempre Lufti). A mão mais firme do Cinema Novo recebe um Calunga de Ouro, especial por sua carreira (e excepcional contribuição para o cinema brasileiro). Mas Dib Lutfi teve um enfarto e está se recuperando. Seu médico e a família acharam que seria arriscado submetê-lo à emoção de subir àquele palco e receber a ovação de mais de 3 mil pessoas, o que deve bagunçar o coração de qualquer um, ainda mais um que já esteja debilitado. Nelson veio para receber o troféu do seu grande fotógrafo em Fome de Amor, o mais experimental de seus filmes (e um de meus favoritos, embora seja o corpo estranho na filmografia do autor). Como dizia, reencontrei o Nelson e ele me disse que está preparando o filme sobre Tom Jobim, mas enquanto não começa fez, rapidinho, outro filme com tecnologia digital, sobre a Academia Brasileira de Letras, à qual foi admitido por sua interação entre cinema e literatura. Um filme sobre a academia e os acadêmicos? Um filme sobre a forma como os acadêmicos encaram, lá dentro, a língua, acrescentou Carlos Alberto de Mattos, que acompanhava o mestre. Tenho o maior respeito por Nelson, não apenas por seus grandes filmes, mas também pelos documentários recentes que me parecem interessantes, não merecendo o tratamento de toque-de-caixa que receberam da maioria dos coleguinhas da crítica. Combinei uma entrevista com o mestre. Espero retirar mais coisas para postar aqui, para vocês. E, por favor, aguardo os comentários sobre Nelson, Vidas Secas, Fome de Amor, Memórias do Cárcere…

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