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Luiz Carlos Merten

24 Março 2009 | 08h41

Realizou-se ontem a quinta cerimônia de premiação do cinema paulista, evento promovido pela Fiesp e pelo Sesi. O evento faz a ponte entre empresariado, a classe cinematográfica e o mundo político, com todos aqueles secretários que aparecem para colher louros na hora do congraçamento. A forma de indicar os finalistas é democrática, como na Mostra. O público seleciona seus favoritos entre filmes habilitados – a produção tem de ser paulista – e um júri aponta os melhores. Já integrei esse júri, mas não me lembrava que ele permanece secreto. Ou será que mudaram as regras e hoje é só o público que vota? Preciso checar isso antes de escrever o texto para o ‘Caderno 2’. ‘Ensaio sobre a Cegueira’ foi o vencedor da noite, com quatro prêmios – melhor filme, diretor (Fernando Meirelles), fotografia (César Charlone) e montagem (Daniel Rezende). Ao agradecer seu prêmio de direção, Meirelles externou toda a sua felicidade (e ele estava mesmo radiante). Disse que nunca tomou tanta porrada devido à realização de um filme, no País e no exterior, e era um consolo saber que pelo menos os paulistas gostaram de ‘Blindness’. Mark Ruffalo foi um dos indicados para o prêmio de melhor ator, mas perdeu para José Mojica Marins, que levou o troféu por ‘Encarnação do Demônio’. (Leonardo Medeiros deve querer cortar os pulsos. No ano em que fui jurado, ele perdeu para Wellington Moreira, o palhaço de ‘Doutores da Alegria’, de Mara Mourão; agora para Zé do Caixão!) Julianne Moore sequer foi indicada e a melhor atriz foi Rosane Mulholland, por ‘Falsa Loira’, de Carlos Reichenbach. Fiquei feliz pela Rosane. Defendia que ela fosse melhor atriz na APCA, mas fui voto vencido e creio que Djin Sganzerla – também presente no filme de Carlos Reichenbach – tenha sido, de qualquer maneira, uma escolha legal. Djin dá um salto em sua carreira e é a melhor coisa de ‘Meu Nome É Dindi’, de Bruno Safadi. O prêmio de melhor atriz para Rosane levou ao palco a produtora Sara Silveira para o discurso mais hilário da noite. Sara reconheceu que não é bonita como Rosane, mas disse que é ‘ajeitada’. A platéia quase foi abaixo. Outros premiados da noite – adorei rever as imagens de ‘Chega de Saudade’, à medida que iam sendo anunciados os indicados. Gosto demais do filme, e o que me encanta é justamente isso. Como, de uma imagem, a gente pode reconstruir sensações, emoções, um filme inteiro. Daniel Rezende é fera, mas a montagem de Paulo Sacramento é brilhante no filme de Laís Bodanzky, que venceu nas categorias de trilha (BID), atriz coadjuvante (Clarice Abujamra) e roteiro (Luis Bolognesi).Willem Cortaz foi melhor coadjuvante, por ‘Nossa Vida não Cabe num Opala’, de Reynaldo Pinheiro. ‘Encarnação do Demônio’ somou ao prêmio de ator para Zé do Caixão o de melhor direção de arte. Gosto do filme, e até o defendi na estréia, mas achei dois prêmios um tanto absurdos. Por boa que seja a direção de arte de Cássio Amarante, a de Tulé Peaks deveria ter engrossado a premiação de ‘Ensaio sobre a Cegueira’. Houve um prêmio de curta, e foi para ‘Dossiê Rê Bordosa’. A festa começou com atraso de uma hora, o que é sempre motivo de irritação, pelo menos para mim. Estava anunciada para 20 horas, começou às 21. Mas não adianta reclamar – por que não marcaram para 9? Porque começaria às 10, claro. Menos mal que encontrei pessoas a quem não via há tempos. A conversa com Hector Babenco foi muito legal e rendeu pautas, que vocês vão ler aqui ou no ‘Caderno 2’. Com Zita Carvalhosa, do Festival de Curtas, conversei sobre a sempre delicada questão de patrocínio, que está atropelando os eventos mais tradicionais (a expectativa é de que as coisas melhorem no segundo semestre). Criticado o atraso da festa, ela foi legal, com um formato diferente (e divertido). Como fazer cinema no Brasil é difícil – é como andar na corda bamba –, o palco do auditório da Fiesp virou um picadeiro de circo, Diverti-me com os Parlapatões e Barbara Paz foi só beleza na apresentação.