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Luiz Carlos Merten

09 Dezembro 2009 | 17h09

Thiago Lacerda tomou porrada da polícia na saída do Maracanã, no domingo, após a vitória – suada – do Mengão contra o Grêmio (que jogou desfalcado, não?). Na segunda, Thiago recebeu, também no Rio, o prêmio Contigo de melhor ator, por sua interpretação como Calígula na peça de Albert Camus, traduzida por meu amigo Dib Carneiro Neto, com direção de Gabriel Vilella. Aleluia! Alguém, finalmente, fez justiça a ‘Calígula’, e foi o público. Gostei demais da montagem, e do ator. Por falar em prêmio, fizemos na segunda, um grupo reduzido, a votação para os melhores do cinema em 2009 da APCA, a Associação Paulista dos Críticos de Artes. Será que cometo alguma indiscrição? Assino embaixo do melhor filme e do melhor documentário, respectivamente ‘A Festa da Menina Morta’, de Matheus Nachtergaele, e ‘Cidadão Boilesen’, de Chaim Litewski, com suas revelações sobre o empresariado e a imprensa que apoiaram a ditadura civil/militar, até mesmo fornecendo recursos e carros para a ação da repressão. Que coisa, não? Mas acrescento que fui voto vencido na escolha dos atores, e não que os escolhidos não sejam bons. Respeito muito Glória Pires e acho que ela está melhor em ‘É Proibido Fumar’ do que em ‘Lula, o Filho do Brasil’ – que ainda vai estrear –, mas a melhor atriz do ano foi a poderosa Denise Weinberg de ‘Salve Geral’ – a Ruiva não dá mole, não. Não tinha favoritismo para melhor ator – exceto Daniel de Oliveira –, mas já que Glória ganhou preferiria ver Paulo Miklos reconhecido, também por ‘É Proibido Fumar’. Nada contra Gero Camilo, que é ótimo. Se implicância houvesse, seria contra o filme que lhe deu o prêmio, ‘Hotel Atlântico’, por mais que respeite a diretora Suzana Amaral, de ‘A Hora da Estrela’ e ‘Uma Vida em Segredo’. Revi ‘Hotel Atlântico’ e concordo que a narrativa se faz pelas bordas – e os personagens secundários são mais interessantes –, mas não consigo entrar no clima, ao contrário dos longas anteriores da Suzana. A propósito, ela me enviou um e-mail reclamando de um detalhe da entrevista que me deu para o Caderno 2. Será que foi ato falho ou alguém corrigiu? Seus filmes são todos baseados em livros, mas Suzana diz que não faz ‘adaptações’. Ela transmuta. No texto impresso saiu ‘transmite’, o que não é o caso, evidentemente. Desculpe, mestra (mesmo que dessa vez ela não tenha transmitido nem transmutado para mim).