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Luiz Carlos Merten

13 Dezembro 2010 | 14h28

Já vi os comentários de vocês. Havia me esquecido que Tom Hanks também bisou o Oscar, vencendo por ‘Forrest Gump’ e ‘Filadélfia’. Ops, foi o contrário, primeiro por ‘Filadélfia’ e depois por ‘Forrest Gump’. Gosto demais do filme de Jonathan Demme, ou melhor, fui gostando com o tempo, quando acho que o entendi, ou quando recriei no inconsciente o filme mais complexo e fascinante para mim. ‘Filadélfia’ não é sobre um gay que está morrendo de aids e luta contra o sistema que o discrimina. Quer dizer, claro que é sobre isso – também -, mas na verdade é sobre um homófobo, o advogado interpretado por Denzel Washington, que vence o próprio preconceito e termina olhando com sinceros compaixão e respeito para o sofrimento do personagem de Hanks. É tudo uma questão de perspectiva, de pçonto de vista, mas se a cena da ópera – a ária ‘La Mamma È Morta’, de ‘Andrea Chénier’ – certamente contribuiu, pelo tour de force, para o prêmio de Hanks, também poderia muito bem ter dado o prêmio para Denzel, porque o estranhamento que passa pelo olhar dele é uma coisa extraordinária. Denzel, por sinal, também ganhou duas vezes o prêmio da Academia de Hollywood, mas por categorias diferentes, melhor ator coadjuvante (‘Um Grito de Liberdade’) e melhor ator (‘Dia de Treinamento’), nisso se assemelhando a Kevin Spacey e Ingrid Bergman. Escrevi há pouco, nos filmes da TV, justamente sobre o thriller de Antoine Fuqua e, por mais que respeite Denzel Washington como ator – e astro, por que não? -, nunca consegui achar que seu oscar fosse merecido. Foi um ano em que a academia foi politicamente correta e premiou maciçamente os afro-americanos – Oscar especial para Sidney Poitier; melhor ator e atriz para Halle Berry e Denzel. O Oscar dela sempre achei meio escandaloso e, mesmo que a interpretação seja boa, Halle não é melhor de coisa nenhuma. Quer dizer, é melhor de curvas, me perdorem pelo pensamento machista, mas Charlize Theron e ela sã o0s Oscars da mediocridade e ambas fizeram em seguida filmes que deveriam ter levado os acadêmicos a cassarem as estatuetas – a Mulher-Gato e aquele outro, como se chama, ‘Eon-Flux’ ou coisa que o valha. Quero só voltar à minha tese. A academia premiou o afro-americano errado. Em vez de Denzel, deveria ter sido Will Smith, por ‘Ali’. Puta cara bom. E o filme do Michael Mann é incomparavelmente superior ao de Fuqua.

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