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Luiz Carlos Merten

08 Fevereiro 2010 | 12h33

Na sexta, estava em Belo Horizonte, era a estreia de ‘Guerra ao Terror’, e vi que ‘O Estado de Minas’ transcreveu o texto de Luiz Zanin Oricchio sobre o filme da poderosa Kathryn Bigelow. Não li, mas não foi por nenhum parti-pris. No sábado, o jornal voltou ao filme da ex-senhora James Cameron, uma matéria enorme, sem assinatura. Achei curioso – afinal, no dia anterior o jornal já tratara do assunto – e comecei a ler. Era a minha matéria do ‘Caderno 2’! Queria ter visto o filme de Kathryn ontem, mas me enrolei e perdi a hora. Coloquei visto – e não (re)visto -, porque tenho essa desagradável sensação de que vou ver outro filme ao assistir a ‘Guerra ao Terror’ na tela grande (vi o filme em DVD, no formato pequeno). Feita a ressalva, volto ao jornal mineiro porque, em Tiradentes, num sábado, descobri a página de Cyro Siqueira no ‘Cultura’. Não conheço o jornalista em questão, mas o Cyro escrevia, no primeiro sábado, sobre filmes como ‘Delírio de Loucura’ (Bigger than Life), de Nicholas Ray, e ‘O Cúmplice das Sombras’, de Joseph Losey. Oba! Fiquei nos cascos, achando que estavam saindo em DVD, e só depois descobri que o Cyro mantém essa página com informações e reflexões sobre cinema, que não está necessariamente conectada ao circuito (seja de cinema, TV ou DVD). Ele viaja no seu imaginário e, se o jornal banca uma página inteira como material de leitura, no fim de semana, é porque deve ter público, ó xente. Neste sábado, o jornalista abordou, sob o título ‘Mistérios Inexplicados de Uma Narrativa’, outro filme que me interessa particularmente – ‘O Tesouro do Barba Rubra’ (Moonfleet), de Fritz Lang. Em Paris, o Action Christine exibia, em suas duas salas, uma retrospectiva de Lang e outra de comédias românticas. Por uma questão de horário, assisti a filmes de George Stevens e Ernst Lubitsch e até revi ‘Le Tombau Indien’, segunda parte de ‘O Tigre da Índia’, de Lang, quando queria ter revisto ‘Moonfleet’. Vi o filme com Stewart Granger quando garoto, e era só uma aventura de pirataria (mais uma) para mim. No seu livro sobre o grande diretor, ‘Fritz Lang in America’, Peter Bogdanovich põe ‘O Tesouro do Barba Rubra’ nas nuvens, destacando o relato gótico – e noturno – como um daqueles pesadelos em que Lang era mestre, ao criar. Pois bem, em Ouro Preto, descobri a loja da editora da UFMG, a Universidade Federal de Minas Gerais e nela uma coleção com vários volumes. ‘A Infância Vai ao Cinema’, ‘A Mulher…’ São livros de ensaios. Comprei o livro da infância justamente porque, na contracapa, entre os filmes citados, descobri que estava ‘O Tesouro’. Li o texto de um crítico espanhol, Carlos Llosada – acho que é isso -, e achei muito bacana. Ele faz uma leitura atravessada que muito me atraiu. De acordo com ela, o filme de Lang tem seu oposto, mas também complemento, num Minnelli que adoro, ‘Papai Precisa Casar’ (The Courtship of Eddie’s Father). Amanhã, embarco para Berlim e, na volta, espero ficar mais dois ou três dias em Paris, para ver Isabelle Huppert como Blanche Dubvois no teatro. Duvido que a retrospectiva de Lang ainda esteja rodando, mas bem que adoraria (re)ver ‘Moonfleet’. Não vou ficar recomendando que vocês baixem o filme na internet, porque não pega bem, mas, para bom entendedor, meia palavra basta.

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