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Luiz Carlos Merten

30 Março 2009 | 12h43

Não sabia que título colocar no post anterior e ‘tasquei’ um Bom-dia! Só que, ao salvar, me dei conta de que já passara das 12 horas e, portanto, teria de ser ‘Boa tarde!’ Bobagem… Meu colega Bira, Ubiratan Brasil, me informa que morreu Maurice Jarre. Que coisa! Ele foi homenageado com um Urso de Ouro especial de carreira em Berlim, em fevereiro. Me pareceu bem, para os seus 80 e poucos anos (84), embora tenha chegado de cadeira de rodas. A causa da morte não foi anunciada. Terá sido súbita? Jarre foi muito afetivo com David Lean, cujos épicos intimistas integravam a retrospectiva ‘Bigger than Life’, sobre o sistema Todd-AO. Ele disse que Lean não lhe deu apenas seus Oscars. Mais importante ainda, contemplou-o com sua amizade. Que bonito ouvir isso de um artista falando sobre outro artista, maior ainda, e que a gente – eu, pelo menos – admiro sem restrições. Maurice Jarre criou para Lean todos aqueles temas. ‘Lawrence da Arábia’, ‘Doutor Jivago’ (o tema de Lara), ‘A Filha de Ryan’, ‘Passagem para a Índia’. Foram três Oscars, e todos por filmes de Lean (‘Lawrence’, ‘Jivago’ e ‘Passagem’). Em Berlim, ele contou como se inscreveu na Academia de Música às escondidas, contra a vontade do pai. Dieter Kosslick, presidente da Berlinale, disse que os compositores de cinema vivem, em geral, à sombra de grandes diretores. Maurice Jarre foi daqueles que trouxe a música para o primeiro plano. Mesmo quem nunca viu a adaptação do romance de Pasternak, conhece o tema de Lara. E é verdade. Mas eu tenho a impressão de que, se tivesse de escolher um, ficaria com o tema do último Lean. Há uma melancolia em ‘Passagem para a Índia’, que nasce da visão romântica de Adela (Judy Davis) em choque com a realidade, passa pela exasperação no olhar de Mr. Moore (Peggy Ashcroft) – o jeito como ela olha a passividade do colonizado – e culmina na semente transformadora no fim do julgamento. Só a imagem não construiria essa sensação. A música de Maurice Jarre é fundamental.