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Luiz Carlos Merten

03 Setembro 2008 | 08h46

César Murilo Jacques me acusa – diz que ao chamar ‘Trovão Tropical’ de pueril estou macaqueando ONGs norte-americanas que dizem que o filme de Ben Stiler é politicamente incorreto. E o César cita o artigo de não-sei-quem na ‘Folha’, que enumera as citações de que se vale o ator e diretor para ‘demolir’ os filmes de guerra de Hollywood, é verdade que alguns deles clássicos, como ‘Apocalypse Now’, de Coppola, como se deduz da cena de abertura da filmagem, com os helicópteros. César realmente não me conhece, porque, sorry, posso parecer ‘soberbo’ – nos piores sentidos do termo: presunçoso, vaidoso, arrogante etc –, mas saber o que dizem as ONGs dos EUA ou ler artigos da concorrência são coisas que não fazem parte do meu repertório. Mas estou adorando essa polêmica sobre ‘Trovão Tropical’. Achei o filme uma porcaria, sem graça nenhuma – ri só de uma piada, alguma coisa de bofetada, e agora não me lembro como foi – e acompanho com muito interesse as manifestações de vocês, não por achar que esteja certo e vocês errados, mas porque é a prova do que não me canso de dizer. Cinema é arte, é indústria, é tudo menos uma ciência exata e, neste sentido, o que vale é o que cada um de nós tira ou põe nos filmes, em termos de projeção pessoal. Ontem, por exemplo, fui ver ‘Hellboy 2’, de Guillermo Del Toro, e talvez – como já me acusaram – ande de mau humor, embora não me pareça o caso. Tomei uma canseira danada com aquele excesso de efeitos, de bichos e personagens bizarros, a maioria uma combinação de máquinas e seres vivos, o que, no limite, é um desdobramento do que começou lá no final dos anos 70 com Ridley Scott, com ‘Alien, o Oitavo Passageiro’. Lembram-se do monstro criado pelo Giger? Quando o alienígena, a máquina de guerra perfeita, como diz o robô mais tarde, abre a boca e corre aquele estrado com roldana até suas vítimas, prenunciando o ataque destruidor, aquilo era de aterrorizar, mas agora o tereror se foi e fica só o excesso e, talvez, o maravilhamento (existe a palavra?) que a imaginação do diretor poderá criar no espectador. Havia gostado (muito) de ‘O Labirinto do Diabo’ e apreciado, com maior ou menor moderação, ‘A Espinha do Diabo’ e até o primeiro ‘Hellboy’, mas aqui não consegui entrar nas cenas de um casamento do vermelhão com sua mulher de fogo. Nem o romance do mutante com a irmã gêmea do vilão me envolveu, e olhem que tentei, porque, conceitualmente, me pareceu bonito, só não deu liga. Enfim, a sessão era para convidados da Paramount, acho que com o Omelete, porque o pessoal estava lá, e eu peguei muitos retalhos de conversas no ar. Ouvi gente dizendo que riu muito com ‘Trovão Tropical’ (só eu não?), que detestou ‘Um Crime Americano’ (e eu fiquei muito perturbado com o filme de Tommy O’Haver, que me produziu o maior mal-estar) e descobri até que Hollywood está fazendo o remake de ‘Karate Kid’, só não sei (não ouvi) quem substitui Ralph Macchio no papel de Daniel-san. Um remake do ‘Karate Kid’… Por que, meu Deus?