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Matéria para reflexão

Luiz Carlos Merten

17 Dezembro 2011 | 21h56

Cheguei em casa, dei uma zapeada na TV e, pelo ‘Jornal Nacional’, soube das três mortes que registrei no post anterior. Passei o dia na rua, a começar pela ida ao Open Mall Square, no km 22 da Raposo Tavares. Não conhecia o conjunto de salas de Ademar Oliveira na Granja Vianna, que, a partir de hoje, está abrigando a homenagem ao ator e diretor Selton Mello. Gostei de ter ido. Conversando com Selton e a produtora Vânia Cattani, pude avaliar melhor o significado do sucesso de ‘O Palhaço’. A terceira via é possível e o cinema brasileiro não tem de ficar refém do filme miúra e de autores que se vangloriam da baixa bilheteria, nem dos outros que fazem tudo, especialmente filmes descerebrados, como se só esses pudessem atrair as multidões. Contei, com toda honestidade, como havia ficado furioso com a Vânia, em Gramado, quando manifestei meus temores pelo desempenho de ‘O Palhaço’ no mercado. Disse que achava que era um filme difícil de vender e a Vânia saiu andando, depois de me dizer que não vende filmes. Hoje, com toda honestidade, ela também me disse que não vende porque não sabe. Como produtora, gosta mais de cinema, de bons filmes, que de dinheiro. É parceira, cúmplice dos diretores autorais com quem trabalha, produz os filmes que gosta de ver, mas na hora de vender o filme é melhor entregar aos especialistas do mercado. E aqui é preciso saudar a Imagem, que bancou o número elevado de cópias, quando um filme delicado como ‘O Palhaço’ normalmente teria tido um circuito independente, pequeno, que provavelmente liquidaria seu potencial e o filme nunca teria atingido 1,3 milhão de espectadores. Mais que o número expressivo, Vânia comemora o fato de ter chegado lá fazendo exatamente o tipo de filme exigente e autoral que sempre fez. E ela chega a arriscar – bem lançado, um filme como ‘Narradores de Javé’, de Eliana Caffé, se tivesse tido uma distribuidora que acreditasse mais, poderia ter feito um público quem sabe bastante expressivo. Mas achei engraçado a Vânia reconhecer. O título não ajudava. O importante é que a acolhida a ‘O Palhaço’ lhe dá cacife para falar com investidores e distribuidores num outro patamar. Está aberta a terceira via. De volta ao Open Mall, achei o conjunto de salas muito bacanas. Ademar e as mulher, Patrícia, me disseram que a Granja Vianna é cheia de bons restaurantes. Ou seja, assim como fez de ‘O Palhaço’ um sucesso, o público também poderia prestigiar as seis salas do Cinespaço Square. E, para o ano que vem, vai ter Imax.