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Mas que mico, o Oscar!

Luiz Carlos Merten

27 Fevereiro 2017 | 03h40

Três da manhã. Acabo de chegar em casa. Estava achando o Oscar um porre. Morno, sem graça, um pouco por causa do mestre de cerimônia, que achei muito sem molejo. Esperava uma cerimônia politizada, até como consequência da polarização entre La La Land e Moonlight – Sob a Luz do Luar, dois filmes dos quais gosto muito e que acho que definem o atual momento que vivemos. Houve até um esboço do que o Oscar podia ser, de cara, quando Jimmy Kimmel falou na trasmissão ao vivo para os 245 países ‘que agora nos odeiam’ e pediu um aplauso para a superestimada Meryl Streep, que foi aplaudida de pé. Tome, Mr. Trump. Mas depois os discursos foram decepcionantes, malgrado algumas tomadas de posição. Apesar do favoritismo de Toni Erdmann, O Apartamento era o filme certo para esse momento. E a ausência de Asghar Farhadi, protestando contra o decreto de Trump que restringe a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, incluindo o Irã, foi muito forte. A coisa do twitter que Kimmel enviou ao presidente também foi boa, mas tudo agora é secundário e esse Oscar vai entrar para a história como o da trapalhada monumental. Estou até agora sem saber se a falha foi de Warren Beatty e Faye Dunaway, ou não. Parece que entregaram o envelope errado. Será? Não creio que o irmão de Shirley MacLaine – ela apresentou o Oscar de filme estrangeiro – esteja tão gagá a ponto de armar aquela confusão. Ubiratan Brasil, que lá está, deve nos esclarecer. Mas a dupla Beatty/Faye anunciar a vitória de La La Land, quando o vencedor de fato, na categoria melhor filme, foi Moonlight, vai ficar nos anais. Os caras já estavam nos agradecimentos… Deu um imbróglio semelhante no Miss Universo. La La Land concorria em 14 categorias, ganhou seis – direção (Damien Chazelle), atriz (Emma Stone), canção (City of Lights), trilha, fotografia e direção de arte. Moonlight venceu em três – filme, ator coadjuvante (Mahershala Ali) e roteiro adaptado. Manchester à Beira-Mar, de Kenneth Lonergan, ficou com melhor roteiro original (do diretor) e ator, Casey Affleck. Não acreditava numa vitória dividida, mas essa, pelo visto, está virando a tônica na Academia. A confusão retardou o fechamento e, para complicar ainda mais, o computador começou a operar no modo oculto, sumindo com o material que estava produzindo às pressas. Problema lá e cá. Estou cansado. Não creio que uma situação dessas já tivesse ocorrido no Oscar. Talvez parecida. Sempre soube que, nos anos 1930, concorriam Frank Lloyd e Frank Capra. O apresentador, que nem sei quem era, chamou ‘Frank, come here’. O Capra adiantou-se e já estava no meio do salão quando ele fez a correção. Era o outro, o Lloyd, que concorria por Cavalcade. Capra pagou o maior mico, mas, a longo prazo, saiu-se bem, porque ganhou três vezes – por Aconteceu Naquela Noite, O Galante Mr. Deeds e Do Mundo nada se Leva. Quem sabe o Chazelle, diretor mais jovem (32 anos) na história do prêmio, não ganha melhor filme no futuro? O que imagino é que Trump vá deitar e rolar no twitter…