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Mas não Se Matam Cavalos?

Luiz Carlos Merten

01 Julho 2007 | 16h54

Ainda no post sobre Lumet comentei que havia ido ao arquivo do Estado procurar material sobre o outro Sidney, o Pollack (que se escreve com Y – Sydney). Foi na quinta, quando redigi o texto que saiu na edição de hoje do Cultura, do Estado, sobre o livro de Horace McCoy Mas não se Matam Cavalos? Gosto muito desse livro. Passa-se durante uma daquelas maratonas de dança que ocorriam nos EUA, durante a depressão econômica dos anos 30. Foi quando Hollywood iniciou seu ciclo de musicais. O país na maior m… e as pessoas dançavam na tela. I’m in heaven. McCoy não vê nada de paradisíaco na dança. O salão é um inferno, predomina a violência social. Robert e Glória formam a dupla de protagonistas. Ambos tentaram fazer carreira em Hollywood, não conseguiram e agora estão ali, dançando até cair, em troca de uns trocados que nem sabem se ganharão. Robert mata Glória – quando o livro começa, ele já matou. Está no tribunal, ouvindo a sentença que é decupada em frases que abrem os 13 capítulos do livro. McCoy escreve como Hemingway. Frases curtas, objetivididade acima de tudo. Mas ele pensa a vida com o sentimento trágico de Faulkner e encara o assassinato como se fosse o suicídio que Camus considerava a única questão moral. Erico Verissimo fez a tradução do livro na antiga Globo, de Porto Alegre, quando a editora pertencia à família Bertaso. (Minha irmã Marlene trabalhou lá nos anos 50/60.) O título se refere ao fato de que há um derbi na maratona. Se as pessoas são tratadas como animais, por que não se pode matá-las impunemente, como se faz com os cavalos? Chego ao Pollack. Em 1969, ele adaptou o livro de McCoy. Fez um grande filme. No Brasil, chamou-se A Noite dos Desesperados. Michael Sarrazin e Jane Fonda faziam Robert e Glória e esse foi o filme que fez dela um símbolo de protesto. Pollack era tão bom! Gosto muito de A Noite dos Desesperados e gosto ainda mais de Jeremiah Johnson, com Robert Redford, que foi lançado como Mais Forte Que a Vingança. Que filme! Foi o pré-Dança com Lobos. Viajo na imaginação, mas recomendo. Leiam Mas não Se Matam Cavalos? na nova edição da L&PM. É baratinho e é um grande livro.

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